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O varejo em alta
A abertura de novos estabelecimentos comerciais passa de 377 mil unidades, avanço de 6,7% em doze meses
Depois de um período mais tímido, o comércio voltou a se destacar na economia brasileira, registrando mais de 377 mil novas unidades entre abril de 2025 e abril de 2026, avanço de 6,7% no número de pontos comerciais. Segundo os dados do IPC Maps, atualmente o País concentra cerca de 6 milhões de estabelecimentos, com 2,7 milhões apenas na Região Sudeste, seguida pela Nordeste, com 1,3 milhão, Sul com 1 milhão, Centro-Oeste com quase 538 mil e Norte com 402.250 empresas.
Esse dinamismo se reflete em nichos específicos, como o de pizzarias, mapeado pela Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra). Segundo a entidade, o Brasil encerrou 2025 com 40.332 pizzarias em operação, o que representa crescimento de 10,29% em relação a 2024. No mesmo ano, foram abertas 4.109 novas casas, enquanto o fechamento de unidades caiu ao menor patamar da última década. Entre janeiro e maio de 2026, o país inaugurou 1.990 novas pizzarias, média de 398 por mês – ou uma nova unidade a cada duas horas.
A pesquisa IPC Maps mostra que, no conjunto do comércio, mais de 3,5 milhões de unidades são de Microempreendedores Individuais (MEIs), enquanto as demais, com maior potencial de geração de empregos, somam 2,4 milhões de CNPJs. O recorte da Apubra indica que a profissionalização e a expansão das pizzarias acompanham essa tendência, consolidando o segmento como um dos motores do varejo de alimentação e um termômetro do apetite empreendedor nas cidades brasileiras.
O agro é tech
A Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg) passou a integrar a Rede Blockchain Brasil (RBB), iniciativa do BNDES e do TCU, e lidera um projeto pioneiro voltado ao comércio exterior. A proposta utiliza tecnologia blockchain para criar soluções de rastreabilidade, certificação verificável, validação de documentos e comprovação de origem de produtos, atendendo às novas exigências globais de transparência e compliance. A iniciativa reforça o avanço tecnológico no agronegócio, impulsionando um dos principais pilares da economia. Ao conectar toda a cadeia produtiva, o projeto permite rastrear commodities desde a origem até a prateleira, ampliando a confiança nas relações comerciais.
Tudo digital
A Sony anunciou o fim da produção de jogos em mídia física para PlayStation a partir de janeiro de 2028, selando uma mudança estrutural na forma de consumir games. Ao longo de sua trajetória, iniciada com o lançamento do primeiro PlayStation, em 1994, a marca se consolidou como um dos principais nomes da indústria. A família de consoles ultrapassou a casa de 500 milhões de unidades vendidas globalmente, enquanto o PlayStation 5 soma mais de 90 milhões de aparelhos comercializados. A decisão ocorre em um contexto no qual cerca de 80% das vendas de jogos para PS4 e PS5 já são digitais, refletindo a preferência crescente dos consumidores por downloads e assinaturas. Ao migrar totalmente para o formato online em novos lançamentos, a Sony reduz custos de produção e logística, reforça o modelo baseado em serviços e amplia o alcance de seus títulos em mercados conectados. Por outro lado, o fim dos discos físicos alimenta o debate sobre preservação da memória dos videogames, impacto no mercado de usados e a perda da experiência de colecionar caixas, encartes e edições especiais que marcaram gerações de jogadores.
E-bikes financiadas
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou uma linha de financiamento específica para ampliar o acesso de entregadores de aplicativos a bicicletas elétricas, dentro da agenda de mobilidade sustentável nas grandes cidades brasileiras. A operação, em parceria com a Tembici e as plataformas de delivery, prevê recursos de em torno de 340 milhões de reais para viabilizar até 85 mil e-bikes destinadas a trabalhadores do setor. O modelo será baseado em programas de locação e arrendamento, com valores semanais compatíveis com a renda dos entregadores, permitindo que o equipamento funcione como ferramenta de trabalho sem exigir um grande desembolso inicial. A aposta é de que a bicicleta elétrica ajude a aumentar o número de entregas diárias, reduzir custos com combustível e manutenção, e ainda diminuir emissões e o impacto ambiental do transporte urbano, conectando geração de renda, inclusão produtiva e transição verde nas metrópoles brasileiras. •
Publicado na edição n° 1421 de CartaCapital, em 15 de julho de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘O varejo em alta’
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