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Intervenção de Trump na Copa expõe laços políticos da Fifa

Presidente dos EUA teria pedido pessoalmente a Gianni Infantino pela revisão de cartão vermelho de árbitro brasileiro contra atacante americano. Caso semelhante aconteceu em 1962, beneficiando Garrincha

Intervenção de Trump na Copa expõe laços políticos da Fifa
Intervenção de Trump na Copa expõe laços políticos da Fifa
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, registra uma 'selfie' ao lado de Donald Trump, observado pela presidente do México, Claudia Sheinbaum, e pelo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, no evento de sorteio dos grupos da Copa do Mundo, em dezembro de 2025 – foto:Brendan Smialowski/AFP
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A Federação Internacional de Futebol (Fifa) provocou uma reviravolta no domingo 5 ao suspender um cartão vermelho contra um atacante dos Estados Unidos na Copa do Mundo. O presidente americano, Donald Trump, teria pedido diretamente ao presidente da entidade, Gianni Infantino, que a decisão do árbitro brasileiro Raphael Claus fosse revisada.

Como resultado, Folarin Balogun está liberado para a partida contra a Bélgica nas oitavas de final desta segunda-feira. A medida colocou o processo disciplinar da Fifa no centro da atenção global, provocou uma reação furiosa da Bélgica e consolidou a relação entre a entidade máxima do futebol e o poder político como principal tema desta Copa.

Em questão de minutos, a intervenção da Fifa desencadeou uma das maiores tempestades midiáticas do torneio. Analistas e ex-jogadores discutem se a federação fez justiça ou minou as próprias regras, na esteira de outras controvérsias envolvendo a relação de afinidade entre Infantino e Trump.

Balogun marcou seu terceiro gol da Copa sobre Bósnia e Herzegovina na semana passada. Mas recebeu o cartão vermelho no segundo tempo por cravar a chuteira no tornozelo de Tarik Muharemovic. O jogador americano de 25 anos foi expulso após revisão do VAR, sob o protesto do técnico dos EUA, Mauricio Pochettino.

Casa Branca comemora decisão

Trump ligou para Infantino após o jogo em que Balogun foi suspenso, reportaram as agências de notícias Reuters, France-Presse e Associated Press, citando fontes em anonimato. A Fifa então anunciou a reversão da suspensão de um jogo que Balogun enfrentava devido ao cartão vermelho.

Em nota, a Fifa afirmou que Balogun estará sujeito a um período probatório de ano, justificando a decisão no seu código disciplinar. A entidade tem discricionariedade para suspender total ou parcialmente a aplicação de uma sanção disciplinar.

“Se Folarin Balogun cometer outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante o período probatório, a suspensão será reativada e a sanção aplicada sem prejuízo de qualquer sanção adicional imposta pela nova infração,” acrescentou.

O árbitro brasileiro Raphael Claus mostra o cartão vermelho a Balogun, jogador de número 20 da seleção dos EUA, na partida com a Bósnia – Foto: Michael Steele/Getty Images via AFP

A Federação de Futebol dos EUA aceitou a decisão, enquanto Trump optou por um agradecimento público. “Obrigado à Fifa por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça”, escreveu Trump na própria mídia social. Já a Casa Branca celebrou, na sua página oficial da rede social X, escrevendo: “EUA-EUA-EUA.”

Seleções reagem mal

Os companheiros de Balogun disseram que só souberam da reversão do cartão pelas redes sociais, quando estavam a caminho do treinamento antes do jogo desta segunda-feira em Seattle.

“Acho que 99,9% das pessoas do futebol disseram que é uma punição injusta e há precedentes que permitem suspender uma punição e cumpri-la depois, então não entendo como as pessoas podem ficar surpresas”, disse Pochettino numa entrevista coletiva no domingo à noite.

Comentando o caso, o técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, opinou que Balogun não merecia cartão vermelho. Mas questionou a suspensão da punição pela Fifa, após ver seu defensor Jarell Quansah ser expulso na vitória por 3 a 2 sobre o México nas oitavas de final no domingo.

“O VAR entrou em ação, três pessoas revisaram e acharam que era vermelho. Então a decisão foi tomada,” disse. “Quem anula essa decisão depois, e quando? E com base em quê? Até onde isso vai agora? Isso é estranho para mim… Onde isso começa e onde termina?”

Já a Real Associação Belga de Futebol (RBFA) disse estar “surpresa”, argumentando que o regulamento da Fifa “estabelece claramente que um cartão vermelho (expulsão) resulta automaticamente em suspensão para a próxima partida da equipe, como ocorreu em todos os cartões vermelhos anteriores nesta Copa do Mundo.”

“Para salvaguardar os direitos legítimos de todas as equipes participantes e proteger os princípios fundamentais do fair play em nosso esporte, tanto nesta Copa do Mundo da Fifa quanto em futuras edições do torneio, a RBFA está investigando todas as opções possíveis”, disse a federação em comunicado.

Garrincha também se beneficiou

O Brasil esteve envolvido no último episódio que envolveu a suspensão de um cartão vermelho sob aparente influência política, em 1962. O meio-campista brasileiro Garrincha foi expulso no minuto 83 da semifinal contra a seleção chilena por chutar um adversário.

Mas ele pôde jogar a final contra a Tchecoslováquia após uma campanha de pressão, que contou com apoio do presidente Jorge Alessandri, do Chile, então país-sede. O Brasil venceu e conquistou então o segundo título consecutivo.

Em novembro do ano passado, a Fifa adiou as duas partidas finais de uma suspensão de três jogos de Cristiano Ronaldo por um cartão vermelho contra a Irlanda nas eliminatórias, permitindo que ele jogasse no início desta Copa.

Já o zagueiro argentino Nicolás Otamendi e o meio-campista equatoriano Moisés Caicedo tiveram suspensões de um jogo adiadas em abril por cartões vermelhos nas eliminatórias, o que também lhes permitiu atuar na estreia do Mundial.

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