Do Micro Ao Macro
Varejo usa IA em marketing, mas trava em estoque e logística
Pesquisa da Zucchetti Brasil com a Central do Varejo mostra onde a inteligência artificial já funciona e onde ainda emperra nas empresas.
O varejo brasileiro ampliou o uso de Inteligência Artificial nos últimos anos, mas a tecnologia ainda avança pouco dentro da própria operação. Levantamento da Zucchetti Brasil, multinacional italiana de sistemas de gestão que atende mais de 120 mil pequenos e médios comércios no país, aponta que a adoção de IA em áreas operacionais segue abaixo de 20%.
A pesquisa, feita em parceria com a Central do Varejo, ouviu 373 profissionais do setor em 21 estados e no Distrito Federal. Entre eles, 67% atuam em pequenas e médias empresas e 33% em grandes corporações.
Varejo ainda trava em áreas operacionais
Segundo os dados, 87% dos entrevistados relatam ganhos reais de eficiência com o uso de IA. Ainda assim, aplicações ligadas à gestão da operação seguem com adesão baixa: gestão de estoque e abastecimento aparece em 19% das respostas, previsão de demanda em 17%, prevenção à fraude em 17% e logística e entrega em apenas 12%.
Marketing lidera entre aplicações de IA
Por outro lado, o uso da tecnologia se concentra em funções ligadas à comunicação e ao relacionamento com o consumidor. Marketing e conteúdo somam 57% das respostas, seguidos por sumarização de textos e transcrições, com 54%, e atendimento ao cliente, também com 54%.
Raquel Coser, diretora da Unidade de Negócios ERP na Zucchetti Brasil, avalia que os números mostram um desafio recorrente entre as empresas. Para ela, o gargalo está na própria estrutura interna dos negócios. “Muitas companhias já reconhecem o valor da inteligência artificial, mas ainda enfrentam dificuldades para integrar informações e padronizar processos. Sem essa base organizada, a tecnologia acaba ficando concentrada em iniciativas isoladas, sem alcançar as áreas mais importantes da operação”, afirma.
Dados desconectados freiam ganhos
A executiva explica ainda que aplicações mais avançadas, como automação preditiva, agentes de comércio e precificação dinâmica, dependem de dados integrados para funcionar de forma consistente. “As empresas já perceberam o potencial da inovação, mas para levar a IA para as áreas principais da operação, é preciso conectar setores que ainda funcionam de forma isolada e garantir uma gestão unificada das informações”, analisa Raquel.
Diante desse quadro, sistemas integrados de gestão, os ERPs, ganham espaço ao reunir informações financeiras, logísticas e comerciais em uma única plataforma. “As empresas perceberam que a inteligência artificial gera mais resultado quando está conectada aos dados reais da operação. O ERP cria essa base unificada, permitindo decisões mais rápidas, automatização de processos e maior previsibilidade para o negócio”, afirma a executiva.
Reforma tributária pressiona varejo
Além da integração de dados, a Reforma Tributária deve acelerar a busca por sistemas mais conectados. A pesquisa aponta que 58% dos varejistas vão precisar investir em tecnologia para atender às novas exigências fiscais. Outros 55% acreditam que as mudanças no sistema tributário terão efeito relevante no dia a dia das empresas.
ERP vira base de gestão para varejo
Para Raquel Coser, ampliar os ganhos operacionais da IA exige tratar a integração de dados como prioridade para as empresas, sobretudo diante das novas exigências trazidas pela Reforma Tributária. “Quando as áreas trabalham de forma desconectada, a inteligência artificial perde capacidade analítica. A tecnologia depende de dados confiáveis, integrados e estruturados para gerar eficiência operacional e apoiar decisões com mais precisão”, reforça a executiva. O cenário reforça que o avanço da IA no varejo depende menos de tecnologia nova e mais de organização interna.
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