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TJ da Bahia vai apurar conduta de juiz que mandou remover imagem do Candomblé de exposição

A mostra também trazia uma obra fotográfica com alusão ao catolicismo, que foi mantida

TJ da Bahia vai apurar conduta de juiz que mandou remover imagem do Candomblé de exposição
TJ da Bahia vai apurar conduta de juiz que mandou remover imagem do Candomblé de exposição
Fachada do TJ-BA. Foto: Flickr/Conselho Nacional de Justiça
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O juiz Cesar Augusto Borges de Andrade se tornou alvo de procedimento administrativo disciplinar no Tribunal de Justiça da Bahia por suposto racismo religioso. A ação, aberta na última quinta-feira 26, apura se o magistrado cometeu o delito ao ordenar a retirada de uma fotografia ligada ao Candomblé de uma exposição instalada no Fórum de Camaçari.

A fotografia retratava a chefe de cozinha Solange Borges, dona do Culinária de Terreiro e liderança do terreiro Unzonganga, liderado pela sua filha biológica. Ao determinar a remoção, o juiz escreveu em um ofício que a presença de uma “personagem vinculada a religião de matriz africana” não seria “condizente” com as instalações do prédio público. A exposição também trazia uma imagem com alusão ao catolicismo, que foi mantida.

Em março, o presidente do TJ baiano determinou a recolocação da foto no acervo. Em manifestação à Corregedoria do tribunal, Andrade afirmou que não ordenou a retirada da fotografia da líder religiosa e atribuiu o episódio a uma decisão administrativa do então diretor do fórum.

O caso teve origem a partir de representações administrativa e criminal protocoladas pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) e pela própria líder religiosa.

No despacho que defendeu a abertura do PAD contra o magistrado, a Corregedoria apontou “conjunto de indícios graves, precisos e concordantes” de racismo religioso institucional, incluindo o uso seletivo do princípio da laicidade para questionar obra ligada a religião de matriz africana — sem contestar outras referências religiosas presentes no mesmo espaço.

O documento cita ainda “três depoimentos independentes e convergentes” que contradizem a versão do magistrado, além de relatos de pressão extraoficial sobre a administradora do fórum antes de qualquer deliberação administrativa — e de “expressões verbais” com possível conotação discriminatória.

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