Do Micro Ao Macro

Microeventos ganham espaço no marketing e miram conexão real com o público

Relatório global aponta encontros menores e personalizados entre as principais apostas do live marketing, com casos já em prática no Brasil.

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Profissionais de eventos mais próximos da formalização via MEI
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Os microeventos, encontros menores, segmentados e personalizados, figuram entre as dez principais tendências do live marketing global neste ano, segundo o relatório Event Marketing Trends 2026, da agência VOK DAMS. O levantamento confirma uma percepção que já circulava entre profissionais do setor: formatos pequenos, precisos e pessoais vêm ganhando espaço diante de eventos massivos.

Para entender o fenômeno no Brasil, ouvimos Ana Nani, CEO da Alternativa F, agência especializada em live marketing e vencedora do prêmio Caio. Segundo ela, “não existe mais espaço para experiências genéricas e rasas, independentemente do tamanho do evento”. A executiva destaca que “a grande tendência é criar experiências realmente personalizadas e que façam as pessoas se sentirem parte e especiais”, o que melhora o engajamento entre os participantes.

Tamanho não define relevância

Apesar do nome sugerir algo simples, Nani reforça que o formato exige planejamento intenso. “Microevento não significa um evento simples, pequeno ou menos relevante”, afirma. Segundo ela, “na maioria das vezes, significa exatamente o contrário: mais curadoria, mais personalização e mais investimento na experiência individual”. A executiva ainda pontua que esses encontros muitas vezes demandam menos recursos do que eventos de grande porte, sem perder eficiência de retorno.

Com público entre 15 e 150 pessoas, o microevento é desenhado para objetivos específicos das marcas, como lançamento de produtos para um grupo selecionado, experiências imersivas, ativações regionais ou networking direcionado. Os convidados são escolhidos por representarem exatamente o perfil que a marca deseja alcançar, e cada convite costuma ser personalizado.

Caso prático no setor imobiliário

Um exemplo é a fintech de crédito imobiliário CashGo, que atende imobiliárias em todo o país. A empresa criou uma espécie de confraria para donos e tomadores de decisão do setor, com encontros previstos em pelo menos 50 cidades neste ano, entre elas São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Segundo Thiago Defante, head de marketing da CashGo, “o setor é muito transacional, tem pouca troca real entre os executivos”. Por isso, segundo ele, “criamos encontros presenciais com uma pegada mais intimista, a lógica é menos palco e mais troca, menos institucional e mais conexão”.

Os números reforçam o formato: a taxa de presença chega a 90%, contra 10% de ausência entre convidados, com investimento médio de R$ 20 mil por edição, valor considerado baixo se comparado ao de grandes eventos.

Grandes eventos continuam relevantes

Embora os encontros menores ganhem força, Nani não vê substituição de um formato pelo outro. “Não acredito no fim dos grandes eventos, muito pelo contrário, o mercado segue crescendo, os investimentos continuam altos e os grandes encontros ainda têm um papel importante no posicionamento das marcas”, diz. Para ela, “eles podem gerar awareness e senso de pertencimento em escala, já encontros menores buscam aprofundar o relacionamento, estimular o networking, influenciar decisões e fortalecer a conexão entre marca e público”.

Segundo a executiva, os dois formatos devem conviver e se complementar nas estratégias de marketing das marcas pelos próximos anos.

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