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Mais de 100 milhões de europeus sofrem impacto de onda de calor mortal

Na Espanha, ao menos 212 óbitos poderiam ser atribuídos ao fenômeno entre o domingo e a quarta-feira

Mais de 100 milhões de europeus sofrem impacto de onda de calor mortal
Mais de 100 milhões de europeus sofrem impacto de onda de calor mortal
Termômetro na fachada de farmácia mostra temperatura em 48 °C em Toulouse, na França – foto: Lionel Bonaventure/AFP
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A intensa onda de calor que afeta a Europa continua se espalhando nesta quinta-feira 25, quando mais de 100 milhões de habitantes do velho continente vão sofrer em algum momento o impacto de temperaturas acima dos 35ºC.

Na Espanha, ao menos 212 óbitos poderiam ser atribuídos ao fenômeno entre o domingo e a quarta-feira.

“Está ficando exaustivo, tanto para o corpo quanto para a mente”, lamentou Arthur, um engenheiro de 28 anos, em Rennes, cidade do oeste da França, que faz parte dos 72 departamentos em alerta vermelho.

Mais de 380 milhões de habitantes da Europa, exceto a Turquia, vão enfrentar temperaturas máximas superiores aos 30º C, segundo uma análise da AFP realizada a partir das previsões do serviço meteorológico alemão e das projeções de população em 2025 do Joint Research Center.

O pico desta onda de calor histórica deveria ser alcançado nesta quinta-feira na França, onde se espera que as condições comecem a melhorar a partir da meia-noite na zona atlântica.

O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, informou, nesta quinta, sobre um “aumento da mortalidade” na cidade, onde os termômetros passaram na quarta-feira dos 40° C pela quarta vez em 150 anos.

Na capital francesa, foram registradas 25 paradas cardíacas em 24 horas frente às dez habituais, segundo o Ministério da Saúde.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou que vai elevar a mobilização do sistema de saúde para o nível mais alto para que possa “aguentar no tempo” frente a uma onda de calor excepcional.

“Força maior”

Na Espanha, por sua vez, pelo menos 212 óbitos registrados entre domingo e quarta-feira podem ser atribuídos à onda de calor – que castigou o país nestes dias -, avaliou, nesta quinta-feira, o Instituto de Saúde Carlos III, de Madri.

A título de comparação, em 2025 morreram 98 pessoas nestes quatro dias.

Estas estimativas se baseiam no sistema “MoMo” (Monitoramento da Mortalidade), que compila diariamente o número de mortos na Espanha e calcula o desvio da mortalidade em relação à previsível, segundo as sérias históricas registradas.

Esta poderosa onda de calor – que afeta muitos países europeus – foi provocada por uma imensa massa de ar quente procedente da África, posicionada sobre a Europa ocidental e comprimida por altas pressões na altitude.

Os cientistas alertam há anos sobre o impacto das mudanças climáticas em ondas de calor, secas e outros fenômenos meteorológicos extremos, cada vez mais intensos e frequentes.

Na Alemanha, são esperadas temperaturas que poderiam passar dos 40°C em alguns pontos, onde poderiam bater recordes absolutos. Por isso, foram cancelados vários eventos ao ar livre, como a meia maratona de Hamburgo (norte).

“É uma pena que (…) não seja realizada, mas o calor é uma razão de força maior”, avaliou Marc Trauth, um estudante de 24 anos, que disputaria a corrida juntamente com seu tio.

A companhia ferroviária Deutsche Bahn recomendou aos seus clientes que evitem viajar e anunciou o reembolso de todas as passagens reservadas até 30 de junho para quem desejar, devido ao alto risco de perturbações relacionadas ao clima.

Pausa para hidratação

No Reino Unido, o alerta vermelho por “calor extremo”, emitido em raríssimas ocasiões, foi prolongado até a noite de sexta-feira para Londres e parte do sudeste da Inglaterra. Assim anunciou a agência meteorológica nacional, que voltou a registrar, nesta quinta-feira, um recorde de calor para o mês de junho (36,4º C).

Para tentar mitigar os efeitos de ondas de calor que cada vez podem ser mais frequentes, a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) pediu, nesta quinta-feira, à União Europeia, que adote pausas para hidratação obrigatórias para os trabalhadores expostos a estas ondas de calor, como as feitas pelas seleções de futebol durante a Copa do Mundo.

A CES, que diz representar 45 milhões de trabalhadores, pediu à Comissão Europeia que aja para garantir aos trabalhadores o “direito a pausas sem perdas de salário” em caso de altas temperaturas.

O risco de acidente de trabalho aumenta em até 7% quando os termômetros passam de 30° C, e até 15% a partir dos 38° C.

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