Política
Quem é Senival Moura, vereador de SP preso em operação contra lavagem de dinheiro do PCC
O político é apontado como controlador da Transunião, empresa de ônibus que integraria o esquema
O vereador de São Paulo Senival Moura (PT) foi preso na manhã desta quinta-feira 25 em uma operação da Polícia Civil contra um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital, o PCC, por meio de uma empresa de ônibus.
A investigação aponta Senival como controlador efetivo da Transunião, a companhia investigada.
Filiado ao PT desde 1984, ele exerce seu sexto mandato na Câmara Municipal e ocupa o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora.
Natural de Alagoas, o petista afirma ter trabalhado como engraxate antes de iniciar a carreira política, nos anos 1990, com foco no transporte. À época, ingressou no transporte público de passageiros pelo sistema de lotação e foi um dos fundadores do Sindicato dos Proprietários de Veículos Profissionais Autônomos, o Sindilotação.
Segundo as investigações, Senival figurava como “efetivo” explorador econômico de parcela significativa da frota vinculada à Transunião e teria ônibus da empresa em seu nome e no de familiares.
A apuração começou após o assassinato do tesoureiro da companhia Adauto Soares Jorge, em 2020. Segundo a polícia, o homem teria sido “condenado à morte” pelo PCC — assim como Senival — por supostos desvios de valores da organização criminosa.
“A facção teria descoberto, então, que Adauto desviava dinheiro da empresa para subsidiar uma espécie de ‘caixa dois’ para as eleições de 2020, privilegiando diretamente Senival Moura em sua campanha à reeleição como vereador de São Paulo”, diz um trecho da manifestação do MP.
Senival, de acordo com os investigadores, teria concordado com a execução de seu braço-direito e sido “perdoado” em razão de sua influência política e de sua capacidade de ressarcir o prejuízo financeiro causado à facção.
Após o caso, a empresa teria realizado novas nomeações para manter o esquema em funcionamento. Uma delas teria sido a de Jair Ramos de Freitas (o “Cachorrão”), apontado pela polícia como o executor dos disparos contra Adauto. “Cachorrão” foi preso nesta quinta-feira.
A reportagem de CartaCapital entrou em contato com o mandato do vereador para comentar o caso, mas ainda não obteve retorno. Também procurou o PT São Paulo e a Câmara Municipal. O texto será atualizado em caso de resposta.
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