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Vaticano rejeita permitir sermões de mulheres nas missas

Cúria negou pedido para que pessoas comuns pudessem fazer a homilia. Demanda veio da Conferência Episcopal Alemã, que teme prejuízos ao processo de reforma da Igreja Católica do país

Vaticano rejeita permitir sermões de mulheres nas missas
Vaticano rejeita permitir sermões de mulheres nas missas
A Basílica de São Pedro, no Vaticano, em 25 de abril de 2025. Foto: Henry Nicholls/AFP
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O Vaticano rejeitou nesta terça-feira 23 um pedido da Conferência Episcopal Alemã (DBK, na sigla em alemão) para que pessoas comuns, inclusive mulheres, possam proferir sermões em missas.

O pedido de permissão especial foi negado pelo dicastério vaticano responsável, que deixou claro que as homilias cabem unicamente aos padres ou diáconos. O órgão disse reconhecer a preocupação da DBK, mas reafirmou as normas vigentes, das quais não se permite qualquer desvio.

“A disciplina atual não pode ser dispensada”, afirmou um comunicado do dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, que supervisiona o culto dos 1,4 bilhão de católicos do mundo.

Muitas missas católicas incluem um sermão, no qual um padre ou diácono oferece uma reflexão sobre as leituras bíblicas do dia. O presidente da Conferência Episcopal Alemã, Heiner Wilmer, havia solicitado, no início deste ano, permissão para que os leigos também pudessem proferir sermões.

O pedido ecoou os sentimentos de muitos bispos em outros países europeus e nos Estados Unidos, que afirmam que muitos leigos são tão capazes de pregar quanto os padres. Eles frequentemente citam o desejo de ouvir sermões de mulheres, que não podem ser ordenadas na Igreja Católica.

O Vaticano não forneceu uma resposta completa aos bispos alemães, apenas foi divulgado um comunicado à imprensa resumindo a decisão.

“A reserva da homilia a um padre ou diácono não é uma norma meramente disciplinar, mas deriva da própria natureza da liturgia”, dizia a nota.

A Igreja Católica ensina que, durante uma missa, o padre age in persona Christi (na pessoa de Cristo), e é Deus quem age por meio do padre durante o culto. Os leigos podem apenas proferir sermões em celebrações religiosas fora da missa.

Teólogos leigos já pregam em igrejas na Alemanha

Uma maior participação dos leigos é uma das principais preocupações do Caminho Sinodal, o processo de reforma da Igreja Católica na Alemanha.

O canonista Thomas Schüller afirmou que, com a rejeição do Vaticano à pregação leiga, os membros do Caminho Sinodal estão entrando em um “período de decepções romanas”. “Os sonhos sinodais alemães estão se desfazendo”, disse Schüller sobre a proibição, que confirma a diretriz romana existente e não é teologicamente nova.

Segundo ele, agora é ainda mais incerto se o Vaticano confirmará os estatutos para a planejada conferência sinodal dos católicos alemães. Este órgão, no qual bispos e leigos devem se consultar e decidir juntos, é considerado o núcleo do Caminho Sinodal. “Há agora um receio justificado de que este caminho também seja proibido por Roma”, disse Schüller.

No entanto, segundo afirmou, a proibição não mudará a prática cotidiana nas paróquias católicas dos países de língua alemã. Teólogos leigos qualificados às vezes pregam nesses locais. “Portanto, Roma está travando uma batalha perdida, do ponto de vista sociológico e factual, com sua proibição atual e, realisticamente falando, não pode aplicá-la.”

A Igreja Católica na Alemanha tem registrado perda contínua de fiéis. De 2024 para 2025, a redução foi de 550 mil. No total, o país contabilizava 19,22 milhões de católicos – o que equivale a 23% da população.

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