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Do Vale do Silício a Gaza: como as big techs entraram na guerra total
Na segunda edição de ‘Império em Transe’, o sociólogo Sérgio Amadeu fala do papel das grandes empresas de tecnologia na operação de sistemas capazes de classificar, rastrear e produzir alvos em tempo real
Nem só aplicativos, redes sociais e serviços de nuvem vivem as big techs. Na guerra contemporânea, empresas como Amazon, Google, Palantir e Oracle são parte fundamental da máquina norte-americana.
É o que defende o sociólogo, professor e pesquisador Sérgio Amadeu, autor do livro As big techs e a guerra total: O complexo militar-industrial-dataficado (Hedra, R$ 54,90).
Na segunda edição de Império em Transe, Amadeu falou sobre as teses-chave do livro. A conversa foi mediada por Thais Reis Oliveira, editora executiva de CartaCapital e Isabela Agostinelli, pós-doutoranda no Programa San Tiago Dantas, pesquisadora do Ineu e do GECI e professora de Relações Internacionais na FECAP.
“O complexo militar é baseado em dados”, resumiu. “Com o avanço de tecnologias digitais, há uma integração no cenário da guerra entre satélites, drones, dispositivos informacionais no chão, serviço de inteligência e o próprio vestimento do soldado. É preciso integrar tudo isso, e não é algo simples.”
Empresas privadas se tornaram, portanto, parte fundamental da infraestrutura de vigilância e de operação, deixando de ser apenas fornecedoras de tecnologia e sendo levadas para o centro das decisões militares do Pentágono.
Gaza aparece como o caso mais brutal dessa transformação. Ao comentar a lógica de cruzar dados, perfis e padrões de comportamento para localizar supostos inimigos, Amadeu foi direto: “Não mais uma guerra, ele está defendendo assassinatos”.
O debate também aterrissou no Brasil. “A rede soberana do governo é feita com máquinas da Amazon, da Oracle e do Google. De soberana não tem nada”, afirmou o professor, ao defender investimento público, fortalecimento das empresas estatais de tecnologia e uma política real de soberania digital.
O Serpro, empresa pública responsável por sistemas e serviços digitais do governo federal, é citado como uma estrutura que poderia voltar a desenvolver tecnologia própria. “Hoje, ela funciona como barriga de aluguel, como revendedora. Mas, se a fizermos voltar à sua função precípua — desenvolver tecnologia —, temos estrutura para isso.”
Império em Transe é o ciclo mensal de debates de CartaCapital, realizado em parceria com a PUC-SP, o INEU, o GECI, a TV PUC-SP e a livraria Tapera Taperá. O programa entra em pausa em julho e volta em agosto, com novas conversas sobre os Estados Unidos, a geopolítica e a crise da ordem internacional.
Assista à íntegra:
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