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Delegação do governo taleban negocia com UE a repatriação de afegãos

Os talebans voltaram ao poder em 2021, após 20 anos de guerra e a retirada precipitada das forças americanas. Desde então, nunca foram reconhecidos pela UE

Delegação do governo taleban negocia com UE a repatriação de afegãos
Delegação do governo taleban negocia com UE a repatriação de afegãos
Membros das forças de segurança do Taleban operam uma metralhadora antiaérea e vigiam possíveis ataques aéreos paquistaneses perto da Linha Durand, no distrito de Gurbuz, província de Khost, em 27 de fevereiro de 2026. Foto: AFP
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Representantes do governo taleban negociaram com a União Europeia, nesta terça-feira 23, em Bruxelas, a possível repatriação de imigrantes afegãos, apesar das fortes críticas de organizações não governamentais.

O governo taleban voltou ao poder em 2021, após 20 anos de guerra e a retirada precipitada das forças americanas do Afeganistão. Desde então, nunca foi reconhecido pela UE.

“As reuniões foram construtivas e espera-se que levem a desenvolvimentos positivos”, disse um funcionário afegão que pediu para permanecer anônimo.

Markus Lammert, porta-voz da Comissão Europeia, confirmou a reunião “técnica” entre representantes de países europeus e as “autoridades afegãs de fato, responsáveis pelo retorno e readmissão” dos imigrantes.

Alguns países da UE querem priorizar o retorno ao Afeganistão de “indivíduos que representam uma ameaça à segurança e criminosos que cometeram crimes graves”, segundo Bruxelas.

Cerca de quinze Estados-membros participaram desta reunião, “o que permitiu dar seguimento às discussões técnicas que ocorreram em Cabul em janeiro de 2026, particularmente no que diz respeito à identificação dos repatriados, à emissão de documentos de viagem e ao seu retorno”, explicou Lammert.

Os países da UE receberam quase um milhão de pedidos de asilo de afegãos entre 2013 e 2024, segundo a agência de estatísticas do bloco. Cerca de metade foi aprovada.

“Não vamos reconhecer o regime taleban, de forma alguma, mas acredito que ainda assim é importante falar com eles”, afirmou o comissário europeu de Migração, Magnus Brunner.

A ativista Malala Yousafzai disse estar “chocada” com a visita e acusou os talibãs de perseguir mulheres.

A Human Rights Watch denunciou que a UE mina sua credibilidade ao cooperar com os talebans em deportações forçadas.

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