Do Micro Ao Macro
Pequenos negócios aceleram crescimento em maio com impulso do dia das mães
Levantamento da SumUp mostra recuo na comparação anual, com taxa Selic alta e inflação pressionando consumo das pequenas empresas.
A atividade econômica dos micro e pequenos negócios brasileiros cresceu 4,61% em maio, na comparação com abril, segundo o Índice SumUp do Microempreendedor (ISM). O indicador chegou a 93,52 pontos no mês, o melhor resultado entre os microempreendedores desde o início do ano.
Por trás do avanço está o Dia das Mães, uma das datas que mais movimenta o varejo no calendário brasileiro. Segundo Lilian Parola, economista e diretora de Mercado de Capitais e Tesouraria da SumUp para a América Latina, a data teve peso direto no resultado de maio.
Além disso, o cenário de emprego ajudou a sustentar o consumo. “O desemprego continua em baixa, o que favorece o consumo”, afirma Lilian.

Microempreendedores ganham impulso no Dia das Mães
Ainda assim, o resultado mensal não reflete a trajetória do ano. Na comparação com maio de 2025, a atividade dos negócios da base da pirâmide recuou 5,43%, um sinal de que o ambiente econômico segue desafiador para quem vende pouco e paga juros altos para se manter no mercado.
Para Lilian, a queda anual está ligada a dois fatores que pesam sobre o caixa dos pequenos negócios. “A queda pode estar relacionada à taxa Selic, que segue em patamares altos, e à inflação. Por isso, o ambiente ainda exige cautela por parte dos empreendedores”, diz a economista.
Selic alta mantém cautela no setor
Apesar da melhora pontual em maio, juros elevados encarecem o crédito e limitam o investimento em estoque, equipamentos e expansão. Por consequência, parte dos microempreendedores adota uma postura mais conservadora, mesmo em meses de vendas mais fortes.
Outro fator que ajuda a explicar o comportamento do consumo é o mercado de trabalho. Com o desemprego em níveis baixos, mais famílias mantêm renda recorrente, o que se traduz em compras no varejo de proximidade, justamente o público atendido pelos microempreendedores.
Como funciona o ISM
O ISM é calculado por método econométrico que leva em conta sazonalidade, diferenças demográficas entre regiões e a participação de cada estado no PIB, além do volume de vendas processado pelos produtos da SumUp. A metodologia avalia diretamente os clientes da fintech, mas a distribuição geográfica ampla permite estimar o comportamento da economia popular em todo o país.
A divulgação do índice integra um esforço da SumUp para ampliar o acesso a dados sobre a economia da base da pirâmide, segmento pouco coberto por indicadores oficiais tradicionais.
Comparação anual ainda mostra recuo entre microempreendedores
A SumUp atua há 13 anos no mercado de pagamentos e oferece um ecossistema de produtos voltado a microempreendedores, com maquininhas, conta digital pelo SumUp Bank, empréstimos e links de pagamento. A companhia está presente em 37 mercados, na Europa, nos Estados Unidos, na Oceania e na América Latina, e soma mais de 4 milhões de clientes.
No Brasil, onde opera desde 2013, a empresa emprega 950 pessoas, sendo 49% mulheres e 26% pessoas LGBTQIAP+, com liderança 44% feminina. Pesquisas internas com clientes orientam o acompanhamento de tendências entre os microempreendedores atendidos pela fintech.
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