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Starmer está com dias contados como premiê, diz imprensa inglesa
Impopular e desgastado, primeiro-ministro que assumiu cargo em 2024 deve renunciar em breve, apontam jornais do Reino Unido. Posição se enfraqueceu ainda mais após eleição de correligionário rival para o Parlamento
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, deverá apresentar nesta semana um calendário para deixar o cargo, segundo a imprensa do Reino Unido, após acumular desgaste na liderança do país e enfrentar uma rebelião em seu próprio partido.
Segundo a rede de televisão britânica Sky News, cerca de 100 parlamentares do Partido Trabalhista, atualmente liderado por Starmer, exigiram publicamente a renúncia do primeiro-ministro do Reino Unido.
O jornal britânico The Observer, por sua vez, apontou mesmo que Starmer “prepara-se para apresentar nesta semana um calendário para a sua saída de Downing Street”. O artigo aponta a possibilidade de o anúncio ocorrer já na segunda-feira 22.
A decisão, segundo o jornal, foi tomada depois de Starmer ter concluído que “a sua posição já não é sustentável, após conversas mantidas nos últimos dias com ministros do governo, conselheiros de Downing Street, líderes sindicais e doadores do Partido Trabalhista”.
“Embora o primeiro-ministro esteja psssando o fim de semana em Chequers, residência oficial de campo dos chefes de governo britânicos, discutindo o seu futuro com a mulher, Victoria, antes de tomar uma decisão final, figuras seniores do Partido Trabalhista acreditam que uma ‘declaração clara’ poderá surgir já na segunda-feira”, apontou o jornal.
Rival interno de Starmer pode ser novo premiê
A possibilidade vem sendo turbinada após a posição de Starmer ter se enfraquecido ainda mais na sequência das recentes declarações do trival interno Andy Burnham, que anunciou a sua intenção de “desafiar o líder pela liderança” do Partido Trabalhista.
Burnham, prefeito da Grande Manchester e com uma trajetória de destaque no Partido Trabalhista, derrotou nesta semana de maneira contundente o candidato do movimento de extrema-direita Reform UK no distrito de Makerfield, noroeste da Inglaterra. O triunfo lhe garantiu um lugar no parlamento e a força política para enfrentar o primeiro-ministro na disputa pela liderança do partido.
O popular político de 56 anos, que já foi ministro da Saúde, afirmou que planeja enfrentar Starmer pelo comando do partido e precisava vencer a votação de alto risco para ter condições de iniciar a disputa.
Segundo as informações divulgadas pela imprensa britânica, Burnham contaria com o apoio dos 81 deputados trabalhistas necessários para forçar a realização de primárias. Se conquistar o posto de liderança do partido, Burnham pode ser alçado ao cargo de premiê sem a necessidade de uma eleição geral, já que os trabalhistas contam com maioria no Parlamento.
Se Starmer deixar o cargo de chefe de Governo em 2025, o Reino Unido terá seu sétimo primeiro-ministro em 10 anos.
Trata-se do segundo desafio interno que Starmer enfrenta em poucos dias, depois de ter rejeitado na passada quarta-feira uma suposta tentativa semelhante liderada pelo ex-ministro da Saúde, Wes Streeting.
Perante este novo cenário, o primeiro-ministro tem dito que não acha uma “boa ideia mergulhar o país no caos”. “Mas já o disse antes: se houver eleições primárias, vou concorrer. Não vou fugir às minhas responsabilidades como primeiro-ministro”, advertiu.
No cargo desde 2024, Starmer enfrentou diversas guinadas de 180 graus em suas políticas e um escândalo relacionado à nomeação de Peter Mandelson, ex-sócio do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, como embaixador em Washington.
Apenas 18% dos britânicos avaliam Starmer positivamente, segundo pesquisa YouGov. E 74% reprovam o premiê.
Trump reage aos relatos de renúncia
O presidente dos EUA, Donald Trump, que repetidamente entrou em choque com Starmer no último ano, comentou neste domingo os relatos sobre a possível renúncia de Starmer, numa mensagem ambígua na rede Thruth Social.
Por um lado, Trump disse: “Desejo-lhe tudo de bom”. Mas também escreveu: “Ele fracassou miseravelmente em dois assuntos muito importantes: IMIGRAÇÃO e ENERGIA (ABRAM O PETRÓLEO DO MAR DO NORTE!)”, escreveu Trump, em referência ao banimento de novas perfurações por petróleo em águas britânicas que foi mantido pelo governo Starmer.
Trump já havia anteriormente criticado duramente Starmer por não apoiar a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
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