Mundo
Irã promete cobrança firme das condições impostas aos EUA em acordo
O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que as conversações diretas com os Estados Unidos não significam ‘aceitar seus pontos de vista’
O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou nesta sexta-feira 19 que as negociações com os Estados Unidos continuarão limitadas pelas “linhas vermelhas” de Teerã.
“Como demonstramos ao longo das negociações anteriores, somos firmes no cumprimento das condições e das linhas vermelhas estabelecidas, assim como na defesa dos interesses da nação iraniana”, afirmou Ghalibaf em declarações publicadas pela agência de notícias oficial IRNA.
“Se o inimigo busca ser excessivo, nós demonstramos que nossos dedos estão no gatilho e não hesitamos em dar uma resposta esmagadora ao inimigo”, acrescentou.
Teerã e Washington assinaram um memorando de entendimento nesta semana para acabar com o conflito regional, iniciado com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
Ghalibaf fez as declarações depois que o guia supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que aprovou o acordo entre Estados Unidos e Irã, apesar de ter uma “opinião diferente” sobre o tema, sem revelar detalhes.
Em uma mensagem lida na televisão estatal, Khamenei afirmou que as conversações diretas com os Estados Unidos não significam “aceitar seus pontos de vista”.
Em resposta à mensagem de Khamenei, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi afirmou que a política externa do país ficará responsável por proteger os “interesses do Irã e os direitos da nobre nação iraniana”.
O memorando de acordo, assinado pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e por seu homólogo americano, Donald Trump, abre um período de 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano e a suspensão das sanções, previsto no texto.
Não está claro quando começarão as negociações sobre um acordo final, menos ainda depois que a reunião programada para a Suíça nesta sexta-feira para a assinatura do memorando foi adiada.
O acordo estipula também o fim das hostilidades no Líbano, onde o movimento xiita Hezbollah, patrocinado pelo Irã, luta contra Israel desde 2 de março.
Teerã insiste que o conflito no Líbano deve ser encerrado como parte de seu acordo com Washington, mas as hostilidades prosseguem.
Israel anunciou nesta sexta-feira que atacou mais de 80 alvos e matou “dezenas” de membros do partido-milícia, depois da morte de quatro soldados.
“Em resposta às violações (do cessar-fogo) reiteradas e flagrantes por parte do Hezbollah, o Exército (…) atacou mais de 80 centros de comando terroristas” e outras instalações do movimento xiita, afirma um comunicado divulgado pelas Forças Armadas.
“Dezenas de terroristas do Hezbollah que operavam nos centros de comando foram eliminados”, acrescenta a nota.
A imprensa estatal libanesa informou que 18 pessoas morreram na madrugada de sexta-feira em ataques israelenses no sul do país.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Irã diz que vai cobrar pedágios em Ormuz após os 60 dias de negociações
Por AFP
Por que reabrir Ormuz é mais complexo do que liberar rodovia
Por Deutsche Welle
Trump ameaça voltar a ‘lançar bombas’ se o Irã ‘não se comportar’
Por AFP



