Economia
Banco central dos EUA mantém taxas de juros e não descarta aumento neste ano
Antes da guerra, o mercado descontava ao menos um corte na taxa. Agora, espera-se elevação em dezembro
O Federal Reserve (Fed) manteve as taxas de juros dos Estados Unidos inalteradas na primeira reunião de política monetária presidida por Kevin Warsh, mas sugeriu que um aumento poderá ser decidido antes do fim do ano.
O banco central americano decidiu manter as taxas de juros na faixa de 3,50% a 3,75% pela quarta reunião consecutiva, com votação unânime pela primeira vez em um ano.
O Fed também atualizou suas projeções econômicas: agora espera uma inflação anual de 3,6%, em vez de 2,7%, até o fim do ano, e um PIB em crescimento de 2,2%, comparado aos 2,4% projetados em março.
As autoridades monetárias afirmaram que a atividade econômica está “expandindo em um ritmo sólido, apesar da alta incerteza, que se deve, em parte, ao conflito no Oriente Médio”.
“A inflação permanece alta em relação à meta de 2% do Comitê (de Política Monetária) e reflete, em parte, choques de oferta que elevaram os preços em certos setores, incluindo o de energia”, disseram.
Garantias
Warsh prometeu nesta quarta-feira que os dirigentes do Fed “garantirão a estabilidade de preços”.
“Os preços persistentemente altos são um fardo para o povo americano, mas o passado recente não precisa se prolongar”, disse, e destacou que a inflação está bem acima da meta.
Ele também anunciou a criação de cinco grupos de trabalho cujas conclusões poderão levar a mudanças dentro da instituição.
Essas equipes refletirão, em particular, sobre a comunicação do Fed e de seus membros, que Warsh considera excessiva, assim como sobre o volume de ativos mantidos pela instituição, especificou.
Mudança de perspectiva para as taxas
Antes da guerra, os mercados descontavam ao menos um corte na taxa de juros até o fim do ano, mas isso mudou. Agora, espera-se um aumento da taxa na reunião do Fed em dezembro.
A declaração desta quarta-feira foi mais curta que o habitual e também omitiu orientações futuras sobre a trajetória da taxa de juros, que vinham sendo constantes nos últimos anos.
A inflação nos EUA ficou em 3,8% em abril na comparação anual, segundo o indicador de preços preferido do Fed, o PCE.
Com o fortalecimento do mercado de trabalho, aumenta a pressão sobre os responsáveis da política monetária do Fed para que se concentrem no componente inflacionário do duplo mandato do banco central, que combina estabilidade de preços e pleno emprego.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.



