Do Micro Ao Macro

Por que a Geração Z já não quer ficar anos na mesma empresa

Pesquisas apontam que 60% dos jovens dessa geração se sentem desengajados no trabalho, e a mobilidade entre empresas já supera a permanência como padrão de comportamento profissional

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A rotatividade profissional entre jovens da geração Z deixou de ser exceção para se tornar padrão. Dados do levantamento da SideHustles.com mostram que 47% dos trabalhadores em tempo integral consideram mais vantajoso financeiramente trocar de emprego do que permanecer na mesma posição. Entre profissionais de tecnologia e os nascidos entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010, esse comportamento é ainda mais frequente e, em geral, acompanhado de reajustes salariais acima da média.

A movimentação constante reflete uma mudança de valores que vai além do salário. Segundo a terceira edição do Engaja S/A, pesquisa realizada pela FGV-EAESP em parceria com o Talenses Group e a Flash, 60% dos profissionais da geração Z se declaram desengajados ou ativamente desengajados em relação ao trabalho. Os critérios avaliados incluem autonomia, pertencimento a equipes menores com poder de decisão, alinhamento entre habilidades e função, tempo para projetos pessoais e percepção de impacto.

Vínculo emocional com a empresa perdeu força

Fernando Pedro, diretor-geral da Assigna, empresa do Talenses Group voltada a staff loan, observa que a relação dos jovens com o mercado mudou de forma estrutural. “O vínculo emocional com a empresa perdeu força diante da busca por desenvolvimento acelerado e novas experiências profissionais”, diz o executivo.

Para ele, as organizações ainda operam com estruturas pensadas para ciclos mais longos de permanência. O descompasso entre esse modelo e o comportamento atual dos jovens trabalhadores gera pressão sobre as áreas de recursos humanos e leva empresas a rever políticas de contratação e retenção.

Rotatividade pressiona empresas a rever modelos de gestão

O avanço da rotatividade abre espaço para arranjos menos tradicionais. Estruturas que combinam agilidade operacional com maior autonomia dos profissionais ganham tração, entre elas o staff loan, modalidade em que trabalhadores são cedidos temporariamente de uma empresa para outra sem rescisão de contrato.

A demanda por esse tipo de solução cresce à medida que setores ligados à inovação e tecnologia enfrentam dificuldades para manter talentos. “Modelos flexíveis permitem equilibrar competitividade e maior mobilidade profissional”, afirma Fernando Pedro.

O que as empresas precisam oferecer para reter talentos

A tendência, segundo o executivo, deve se intensificar nos próximos anos. As novas gerações priorizam relações de trabalho alinhadas a objetivos pessoais de desenvolvimento, e não apenas à estabilidade financeira.

“Empresas que conseguirem oferecer flexibilidade e possibilidade real de evolução terão mais capacidade de atrair profissionais da geração Z”, diz Fernando. A rotatividade, portanto, deixa de ser um problema a ser combatido e passa a ser uma variável do mercado que exige adaptação de toda a cadeia de gestão de pessoas.

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