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Nova NR-1 abre mercado para healthtechs e pressiona empresas a monitorar saúde dos funcionários

Com 4 milhões de afastamentos registrados em 2025 e novas exigências sobre riscos psicossociais, empresas buscam soluções digitais de monitoramento contínuo para antecipar doenças e reduzir custos

Nova NR-1 abre mercado para healthtechs e pressiona empresas a monitorar saúde dos funcionários
Nova NR-1 abre mercado para healthtechs e pressiona empresas a monitorar saúde dos funcionários
A NR-1 entra em vigor e torna saúde mental obrigação nas empresas. Estudo da Yale aponta alta de 25% na produtividade com apoio psicológico.
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Criada pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 1978, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou por uma atualização que amplia o escopo das obrigações das empresas em relação à saúde dos funcionários.

Além dos riscos físicos, químicos e ergonômicos já previstos, as organizações passaram a responder também pela identificação e gestão de fatores psicossociais no ambiente de trabalho, como estresse, sobrecarga emocional e outros elementos que afetam a saúde mental dos trabalhadores.

A mudança na NR-1 chega em um momento em que os números de afastamentos no Brasil batem recordes. Segundo o Ministério da Previdência Social, o país registrou cerca de 4 milhões de afastamentos por doença em 2025, o maior volume dos últimos cinco anos. A dorsalgia, caracterizada por dores nas costas, liderou as concessões de licença, com 237.113 casos. A hérnia de disco apareceu em segundo lugar, com 208.727 afastamentos.

Saúde mental e física como sistema integrado

Para os médicos Hendrick Hoyler e Eduardo Vilela, fundadores da healthtech brasiliense MOMA.I, a separação entre saúde física e mental dentro das empresas é um equívoco que os dados já vêm desfazendo.

“A saúde física e a saúde mental dos trabalhadores formam um sistema integrado. Sintomas como dores musculares recorrentes, fadiga, alterações do sono, dores de cabeça e problemas gastrointestinais podem estar associados a fatores emocionais e, muitas vezes, surgem antes de um afastamento. O desafio das empresas é conseguir identificar esses sinais precocemente para agir antes que o problema se agrave”, afirma Hoyler.

Vilela reforça que o ambiente corporativo historicamente reagiu ao adoecimento em vez de antecipá-lo. “As empresas historicamente atuam quando o colaborador já está adoecido. O desafio agora é antecipar riscos. Quanto mais cedo sinais físicos e emocionais são identificados, maiores são as chances de evitar afastamentos prolongados e seus impactos para as pessoas e para os negócios”, diz.

NR-1 abre espaço para monitoramento digital

A atualização da norma empurra as empresas para um território ainda pouco explorado dentro das estratégias corporativas de saúde. A prevenção, historicamente subutilizada no ambiente de trabalho, passa a ter peso regulatório, o que abre espaço para soluções digitais de acompanhamento contínuo.

“Quando o colaborador consegue compreender melhor seus sintomas e recebe orientação adequada logo nos primeiros sinais de alteração, aumentam as chances de evitar a evolução para quadros crônicos ou mais complexos. Isso beneficia tanto a saúde das pessoas quanto a sustentabilidade dos programas corporativos de saúde”, afirma Vilela.

A plataforma, desenvolvida pelos dois médicos com investimento inicial de R$ 500 mil, combina inteligência artificial e validação clínica para oferecer monitoramento contínuo por assinatura, com valores mais acessíveis do que os planos de saúde tradicionais.

O fluxo começa com uma anamnese conduzida por IA, que coleta dados estruturados sobre sintomas, rotina e histórico de saúde do usuário. A partir dessas informações, o sistema direciona o caso para a especialidade adequada e sinaliza possíveis alertas. Quando necessário, médicos analisam o caso, podendo solicitar exames, emitir prescrições digitais ou orientar a conduta clínica.

Antes mesmo do lançamento, os fundadores somam R$ 20 milhões em receita com operações próprias na área de saúde no Distrito Federal, entre clínica e laboratório. A expectativa é que a plataforma alcance R$ 10 milhões em faturamento já no primeiro ano de operação.

“A inteligência artificial não substitui o médico, mas amplia sua capacidade de atuação. Nosso objetivo é tornar o acompanhamento mais próximo, frequente e viável para muito mais pessoas”, afirma Vilela.

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