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De que é feito um galerista?

O Fascínio e o Afeto é a segunda exposição em torno das celebrações dos 50 anos de atuação de Nara Roesler

De que é feito um galerista?
De que é feito um galerista?
O pernambucano José Cláudio da Silva está representado com duas obras, Paisagem de Olinda (ao alto) e Moça Pegando no Pé (acima). De Vik Muniz, a mostra traz Trotsky, Bolshevist Minister of War, Photographed Recently in His Office in Moscow (à esq.) – Imagem: Flávio Freire
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O Fascínio e o Afeto, que reúne cerca de 30 obras de nove artistas sob curadoria de Agnaldo Farias, é a segunda exposição em torno das celebrações dos 50 anos de atuação da galerista Nara Roesler.

Farias, um dos curadores mais requisitados do País, partiu de uma pergunta que nasce da própria efeméride: o que torna uma galeria perene e significativa? Parte da resposta está no título da mostra. Parte, nos trabalhos expostos.

A primeira presença significativa na sede paulistana da galeria, na região dos Jardins, é a do pernambucano José Cláudio da Silva, artista inaugural nessa relação entre Nara e a arte.

Ainda bastante jovem, ela se encantou pela obra de José Cláudio, começou a adquirir seus trabalhos e, conforme pendurava os quadros em casa, ia convidando gente para ir até lá apreciá-los.

O marco temporal do cinquentenário é o ano de 1976, quando inaugurou a Gatsby Arte com a exposição coletiva O Desenho em Pernambuco.

Passados dez anos, ela se mudou para São Paulo e, em 1989, a galeria passou a levar seu nome. Hoje, a Nara Roesler tem sedes também no Rio de Janeiro e em Nova York.

Em O Fascínio e o Afeto, muitos dos artistas que tornaram possível tamanha expansão estão representados.

A obra que abre o caminho a ser percorrido pelo visitante no espaço de São Paulo é, simbolicamente, Nara (1979), retrato pintado por José Cláudio.

Na sequência, há trabalhos de alguns dos mais importantes nomes da arte moderna e contemporânea, como Abraham Palatnik e Julio Le Parc – pioneiros da arte cinética –, Tomie Ohtake, Rodolpho Parigi, Artur Lescher, Amélia Toledo e Vik Muniz.

Com cada um deles, como escreve Farias, Nara “construiu relações duradouras (…), acompanhando de perto seus êxitos e impasses”.

Neste caso, o que mais interessava, na escolha das obras a serem expostas, era em que medida elas podiam nos ajudar a compreender a natureza do trabalho de um galerista, que envolve o comércio, é claro, mas também uma troca que tem algo de indizível – e que só pode, portanto, ser mostrado. •

Publicado na edição n° 1417 de CartaCapital, em 17 de junho de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘De que é feito um galerista?’

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