CartaCapital
Saúde/ Princípio da precaução
O Ministério da Saúde suspende uso da vacina contra dengue do Butantan
O Ministério da Saúde anunciou, na segunda-feira 8, a suspensão do uso da vacina contra dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após a identificação de três casos graves de eventos adversos, incluindo duas mortes. Segundo o ministro Alexandre Padilha, ainda não há evidências suficientes para estabelecer uma relação causal entre a vacina e os óbitos, ou os demais casos graves. Mesmo assim, os episódios foram considerados um “sinal de alerta” para o sistema de vigilância sanitária e motivaram a interrupção temporária da imunização.
Entre os mais de 500 mil vacinados, foram registrados 3,7 mil casos de efeitos adversos leves até o fim de maio, como dor de cabeça, cansaço e manchas vermelhas na pele. Outros 42 apresentaram sinais de alarme, entre eles dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos espontâneos. Esses casos representam apenas 0,008% do total de imunizados e serão investigados pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. “Nosso compromisso é com o máximo rigor científico possível”, afirma o infectologista Esper Kallás, diretor do Butantan.
Em entrevista ao canal de CartaCapital no YouTube, o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro explicou que a medida segue o princípio da precaução. “Ainda não há uma relação de causa e efeito comprovada”, diz. Nos ensaios clínicos realizados com cerca de 16 mil voluntários, não foram observadas manifestações graves da doença, com potencial de levar o paciente a óbito. Chioro ressalta que, com a ampliação do número de vacinados, é natural aparecerem reações adversas que exigem investigação. “Nenhum medicamento é isento de riscos.”
O Ministério da Saúde destaca que os imunizados há mais de 21 dias estão seguros. Apenas quem se encontra nesse intervalo deve permanecer atento a sintomas relevantes. Os incidentes reportados não invalidam, porém, os resultados obtidos pela vacina do Butantan, que apresentou eficácia global de 65% ao longo de cinco anos de monitoramento e reduziu em 80,5% os casos de dengue grave ou com sinais de alarme. “Ao contrário do que propagam os negacionistas, as evidências indicam que a vacina é eficaz e segura, mas precisamos conhecer melhor seus efeitos adversos”, diz Chioro.
Pastores golpistas
A Polícia Civil de São Paulo realizou, na terça-feira 9, uma operação contra uma quadrilha suspeita de aplicar golpes por meio de vendas fictícias na plataforma Mercado Livre. O prejuízo estimado é de pelo menos 263 mil reais. Cinco dos oito mandados de prisão foram cumpridos. Entre os investigados estão dois pastores apontados como líderes do esquema, atualmente foragidos na Espanha. Outro suspeito estaria nos Estados Unidos. Segundo o delegado João Carlos Miguel Hueb, o grupo simulava negociações inexistentes: “Eles fingiam vender um produto, recebiam o dinheiro e depois o comprador contestava a operação. A plataforma acabava absorvendo o prejuízo”.
TPI/ Escândalo em Haia
Acusado de assédio sexual, o procurador-chefe da Corte internacional é suspenso
Khan nega as acusações de duas mulheres – Imagem: Redes Sociais/ICC
O procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional, Karim Khan, foi suspenso de suas funções por decisão do órgão executivo da Corte, após a conclusão de um processo disciplinar relacionado a acusações de assédio sexual. O britânico já estava afastado desde maio de 2025, quando as Nações Unidas iniciaram a apuração a partir de denúncias de uma ex-colaboradora.
A crise remonta a 2024, quando uma advogada que trabalhava diretamente com Khan em Haia o acusou de tê-la assediado repetidamente por um longo período e de forçá-la a praticar atos sexuais. Em agosto do ano passado, o jornal britânico The Guardian revelou uma segunda denúncia, apresentada por uma mulher que afirma ter sido pressionada por Khan a manter relações sexuais quando ambos trabalharam juntos, em 2009.
O procurador nega todas as acusações de assédio ou má conduta sexual. Seu futuro no TPI será decidido pelos 125 Estados membros da Corte, em sessão extraordinária ainda sem data definida. Khan foi o responsável pelo pedido de prisão do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusado de crimes de guerra em Gaza, e chegou a ser sancionado pelos EUA por essa iniciativa. Após sua suspensão, autoridades israelenses passaram a defender a revogação das medidas contra Netanyahu. “Essa instituição está apodrecida até o núcleo”, escreveu o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, na rede social X.
Popularidade na lona
A aprovação do presidente dos EUA, Donald Trump, permanece próxima da mínima histórica, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira 8. O levantamento aponta 35% de avaliações positivas, mesmo índice da sondagem anterior, de meados de maio. O resultado ocorre em meio à preocupação dos norte-americanos com possíveis aumentos no preço da gasolina, associados à guerra contra o Irã. O indicador está apenas 1 ponto porcentual acima do pior desempenho de seu atual mandato, os 34% registrados em abril. Na primeira gestão, a mínima foi de 33%, em dezembro de 2017.
Copa do Mundo/ O ICE joga em casa
Milícia de Trump barra árbitros, interroga jogadores e assombra fãs
Aymen Hussein, astro do Iraque, foi interrogado por sete horas – Imagem: Karim Jaafar/AFP
Sob o obsequioso silêncio da Fifa, a política migratória dos EUA tem causado graves prejuízos à realização da Copa do Mundo, com uma série de medidas arbitrárias adotadas pelo governo de Donald Trump. Atletas de Senegal e do Uzbequistão foram submetidos a humilhantes inspeções ao desembarcar em solo norte-americano, com uso de cães farejadores e scanners portáteis. O atacante Aymen Hussein, astro da seleção iraquiana, chegou a ser interrogado por mais de sete horas no aeroporto de Chicago.
Mesmo com visto válido, um árbitro somali foi impedido de entrar no país por suposta “associação com suspeitos de integrar organizações terroristas”. Torcedores iranianos também foram impedidos de adquirir ingressos para os jogos, dentro da cota reservada à Federação de Futebol do Irã. Os jogadores do país, por sinal, só poderão entrar nos EUA na véspera de cada partida.
A postura vacilante e submissa de Gianni Infantino, presidente da Fifa, contrasta com o rigor da entidade máxima do futebol em relação a países-sede de Copas anteriores, inclusive o Brasil. Enquanto silencia diante dos abusos do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE, na sigla em inglês), o evento caminha para um retumbante fracasso de público, com milhares de ingressos encalhados e reservas de hotéis abaixo do esperado.
Publicado na edição n° 1265 de CartaCapital, em 28 de junho de 2023.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A Semana’
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