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Fome de crédito

Cresce 15% a procura por empréstimo no acumulado do ano até abril

Fome de crédito
Fome de crédito
O novo piso salarial vai ajudar a evitar o esfriamento da economia brasileira em 2012. Foto: Thales Stadler/ABCDigipress/Folhapress
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A busca dos brasileiros por crédito voltou a crescer, segundo o Indicador de Demanda do Consumidor por Crédito da Serasa Experian. No acumulado de 12 meses até abril, a procura aumentou em torno de 15%, revertendo a trajetória de queda registrada em 2022 e 2023, quando a combinação de juros altos e inadimplência elevada afastou muitos consumidores do mercado. O avanço mais forte se concentra nas faixas de menor renda. Consumidores que ganham entre 1 e 2 salários mínimos lideraram a alta, com expansão próxima de 28%, sugerindo um uso mais defensivo do crédito, voltado a cobrir despesas correntes e reorganizar o orçamento. Entre as rendas mais altas, o movimento é de retomada, com crescimento acima de 17% nas faixas acima de cinco salários mínimos, refletindo maior confiança para assumir novos compromissos financeiros. O movimento ocorre num cenário em que a taxa Selic ainda está em patamar elevado, o que encarece fortemente o custo final dos empréstimos. Alerta:  em um ambiente de juros tão elevados, aumenta o risco de endividamento das famílias, com o pagamento do serviço da dívida.

O golpe das figurinhas

O álbum da Copa de 2026 é um dos negócios mais lucrativos e, ao mesmo tempo, mais emocionais ligados ao futebol no Brasil. Quem alimenta essa febre é a Panini, editora que detém a licença oficial da Fifa para produzir o álbum ilustrado e as figurinhas do Mundial. A coleção deste ano é a maior da história da empresa: são 112 páginas e espaço para 980 cromos, 912 deles em papel cuchê e 68 especiais metalizados, que incluem escudos, estádios, mascotes e troféu, representando as 48 seleções participantes. A emoção de encontrar a figurinha desejada faz com que a desatenção com os golpistas gere prejuízos e frustração.

Criminosos aproveitam a expectativa em torno da coleção para criar sites falsos e anúncios em redes sociais que copiam o layout e a identidade visual do produto, oferecendo álbuns e kits com descontos de até 80% e frete grátis. Segundo o Procon de São Paulo, as reclamações relacionadas ao álbum da Copa de 2026 cresceram 220% entre abril e maio, chegando a 238 queixas, com destaque para vendas em sites e perfis falsos, atraso na entrega e produtos piratas. O roteiro é conhecido: o torcedor paga via Pix ou cartão, o dinheiro some em contas de laranjas e o produto não chega. Quando chega é mais falso do que dizer que o time do Brasil está a um passo do caneco. No Rio de Janeiro, a fraude virou caso de polícia. Mais de 200 mil cromos falsos foram apreendidos em Nova Iguaçu, juntamente com camisas piratas da Seleção, escancarando como o sonho colecionável também virou negócio para o crime.

Mal na foto

A situação econômica da GoPro é delicada, com a própria empresa admitindo sérias dúvidas sobre sua capacidade­ de seguir operando nos próximos 12 meses em documentos enviados ao regulador norte-americano. A marca sofre com vendas abaixo do esperado e aumento abrupto no custo de componentes, especialmente memória, num cenário de competição intensa com rivais como DJI e Insta360. Relatórios recentes apontam que a empresa teve queda de perto de 26% no desempenho comercial em alguns trimestres e recuo de, aproximadamente, 19% na receita anual de 2025, o que pressionou margens e fluxo de caixa. A combinação de menor faturamento, custos mais altos e endividamento levou a companhia a avaliar opções estratégicas, como venda, fusão ou entrada em novos segmentos, numa tentativa de evitar um cenário de insolvência e reposicionar o negócio de câmeras de ação em um mercado saturado.

Gás total

O Grupo Edson Queiroz anunciou um plano de investimentos de 1 bilhão de reais nos dois principais segmentos de atuação: bebidas não alcoólicas e gás. No segmento de bebidas não alcoólicas, onde comercializa marcas como Minalba­, Indaiá e São Lourenço, além da distribuição de marcas premium como Perrier, S. Pellegrino e Acqua Panna, o foco é dobrar a capacidade de produção das fábricas de Campos do Jordão e São Lourenço, além de modernizar unidades no Nordeste. Na frente de gás, a estratégia é acelerar a digitalização da Nacional Gás e aumentar a presença no atendimento direto ao consumidor. A companhia, que mantém parceria com a Ambev em um aplicativo inspirado no modelo do Zé ­Delivery, aposta agora na estruturação de um serviço próprio de entrega de GLP para ganhar controle sobre a jornada de compra e encurtar o tempo de entrega. •

Publicado na edição n° 1417 de CartaCapital, em 17 de junho de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Fome de crédito’

A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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