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Israel dá cobertura para violência de colonos, aponta ONU

Comissão afirma que autoridades israelenses estão diretamente envolvidas em ataques de colonos por meio de apoio financeiro e militar. Investigação também lista atrocidades cometidas pelo Hamas

Israel dá cobertura para violência de colonos, aponta ONU
Israel dá cobertura para violência de colonos, aponta ONU
Bandeira israelense em assentamento na Cisjordânia – Foto: Tania Kraemer/DW
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Uma investigação da ONU concluiu nesta terça-feira 9 que autoridades israelenses estão diretamente envolvidas em ataques de colonos que mataram, feriram e deslocaram palestinos na Cisjordânia ocupada. O inquérito também afirmou que as forças de segurança de Israel dão cobertura para esses atos.

O relatório da Comissão de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado concluiu que as autoridades israelenses têm viabilizado ataques de colonos por meio de apoio financeiro e militar, em um clima de impunidade fomentado por órgãos judiciais e de aplicação da lei.

Segundo o documento, os ataques a vilarejos palestinos e a terras agrícolas aumentaram 130% desde 2023, incluindo incidentes envolvendo grupos de agressores mascarados. O relatório destacou ainda que as forças de segurança israelenses acompanham rotineiramente os colonos e dão cobertura para a violência.

“A violência praticada por colonos é resultado direto de políticas israelenses que apoiam, permitem e protegem suas ações”, afirmou em comunicado o presidente da comissão, o jurista indiano Srinivasan Muralidhar.

O gabinete do primeiro-ministro de Israel ainda não se manifestou sobre a investigação da ONU. Israel, no entanto, rejeita as acusações de que suas tropas protegem colonos durante ataques contra palestinos na Cisjordânia, afirmando que tais ações são incidentes isolados que violam o protocolo militar e são investigados. Grupos de direitos humanos israelenses e palestinos dizem que essas investigações raramente resultam em punições.

A missão diplomática de Israel em Genebra rejeitou as conclusões do relatório, acusando a comissão de fazer uma “falsa equivalência moral” entre militantes do Hamas e civis israelenses, e de se basear em alegações infundadas. Segundo a missão, autoridades israelenses, inclusive o presidente e o primeiro-ministro, condenaram diversas vezes a violência contra palestinos.

Já o Exército afirmou que seu dever é manter a segurança e conduzir operações de contraterrorismo, que condena “qualquer forma de violência que sabote a segurança” e que analisa rigorosamente denúncias de má conduta contra seus soldados.

Centenas de milhares de colonos israelenses vivem entre milhões de palestinos em territórios ocupados por Israel na guerra de 1967. A maioria dos países e a principal corte da ONU consideram essas colônias uma violação do direito internacional, o que Israel contesta citando vínculos históricos e bíblicos com a terra.

Em julho de 2024, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) emitiu um parecer consultivo não vinculativo afirmando que a ocupação israelense dos territórios palestinos e os assentamentos ali existentes são ilegais e devem ser retirados o mais rápido possível.

Violência contra crianças e mulheres

Segundo a ONU, pelo menos sete palestinos foram mortos e 832 ficaram feridos no ano passado. Neste ano, agressões são registradas quase que diariamente. “A participação crescente das forças de segurança israelenses em ataques de colonos equivale a um colapso de fato da distinção entre colonos e soldados”, concluiu o relatório.

De acordo com o documento, essa violência tem sido usada para avançar políticas de Estado, incluindo a ocupação ilegal, o deslocamento de palestinos e a anexação de território palestino.

A comissão documentou ainda casos de agressões, sequestros e abusos de crianças palestinas por colonos. Em um incidente em 19 de abril de 2025, uma menina de 12 anos e seu irmão de 3 anos foram sequestrados, arrastados até um olival e amarrados a uma árvore até que a família interveio.

O relatório também afirmou que colonos cometeram ou ameaçaram cometer violência sexual para incutir medo e assediaram mulheres palestinas.

Apesar de condenações periódicas e do desmantelamento de alguns postos avançados não autorizados, as autoridades israelenses não adotaram medidas sustentadas para interromper os ataques, afirmou o relatório.

O presidente da comissão pediu que a comunidade internacional pressione Israel para desmantelar assentamentos e postos avançados e conter a violência. “Os ataques implacáveis e diários de colonos israelenses contra palestinos são intoleráveis e precisam acabar”, destacou.

Violência do Hamas

O relatório também apontou abusos graves documentados na Faixa de Gaza cometidos pelo grupo radical palestino Hamas, que controla a região.

A comissão concluiu que forças afiliadas ao Hamas estiveram envolvidas em pelo menos 60 dos 249 casos documentados de execuções e violência física severa entre 2024 e 2025, incluindo espancamentos com barras de metal e fraturas ósseas como punição por suposta colaboração com Israel ou por saque de ajuda humanitária.

Em dois casos, 11 homens foram executados publicamente. A comissão afirmou que esses atos configuram crimes de guerra e violações do direito internacional.

A comissão concluiu ainda que os ataques de 7 de outubro de 2023 contra Israel, realizados pelo Hamas e outros grupos armados, que mataram 1.200 pessoas e envolveram tomada de reféns e destruição de propriedades, também configuraram crimes de guerra. Esses ataques precipitaram uma ofensiva israelense em Gaza que matou dezenas de milhares de palestinos e reduziu a escombros grande parte do território.

Muralidhar destacou que o Hamas explora o vácuo criado pelos ataques israelenses e pela destruição generalizada de Gaza.

Um relatório anterior da comissão concluiu que Israel cometeu genocídio durante sua ofensiva militar em Gaza e que altos funcionários israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, incitaram esses atos. Israel rejeitou essas acusações como “escandalosas”.

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