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Muito dinheiro em campo

A Copa do Mundo não redesenha os fundamentos macroeconômicos do Brasil, mas cria um choque de demanda concentrado que redistribui renda dentro da própria economia

Muito dinheiro em campo
Muito dinheiro em campo
(iStock) Copa do Mundo aquece bares e restaurantes: veja como preparar o caixa para o pico de movimento
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No próximo sábado 13, a seleção brasileira de futebol entra em campo. A Copa do Mundo, além de um torneio que mexe com o ânimo dos torcedores brasileiros, tende a funcionar como um 13º mês para o varejo e os serviços no Brasil, abrindo uma janela extra de consumo estimada em 4,32 bilhões de reais em faturamento adicional apenas no comércio varejista, segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo sobre o impacto da Copa de 2026 no varejo brasileiro. O dado da CNC representa um crescimento real de 6,5% em relação ao que foi movimentado pelo Mundial do Catar em 2022, sinal de que o torneio segue sendo um dos grandes motores sazonais de receita para o país, mesmo realizado em outro continente.

No varejo, a Copa consolida o destaque do varejo alimentar e dos segmentos ligados à experiência de assistir aos jogos. A CNC calcula que supermercados, hipermercados e atacarejos devem concentrar a maior parte desses bilhões, impulsionando vendas de cervejas, refrigerantes, snacks, carnes, doces e itens de conveniência em ritmo de final de ano, de acordo com as projeções divulgadas pela confederação. Pesquisas de consumo, como o levantamento “71% dos consumidores devem gastar mais com a Copa do Mundo 2026”, produzido pela consultoria Negócios SC em parceria com a MindMiners, indicam que 71% dos brasileiros pretendem gastar mais durante a Copa de 2026, com prioridade justamente para alimentos, bebidas e produtos associados à torcida, o que reforça o papel da cozinha e da sala de estar como arquibancadas domésticas.

O efeito não se limita às gôndolas. Estudos de mercado mostram que a Copa deve mexer diretamente com o comportamento de 76% dos brasileiros, influenciando decisões de compra e reorganizando o orçamento familiar durante o torneio, segundo o estudo “Copa 2026 mexe com o consumo de 76% dos brasileiros”, publicado por Meio & Mensagem com base em dados de institutos de pesquisa de mercado. No levantamento “O Brasileiro e a Copa: Mídia, Influência e Consumo”, realizado pela Data‑Makers sob encomenda da mediatech de esportes Resenha Digital Clube, 72% dos entrevistados afirmam que vão comprar petiscos para acompanhar os jogos, 66% pretendem levar chocolates e doces, 60% planejam comprar carnes e 60% bebidas não alcoólicas, enquanto 54% citam bebidas alcoólicas. Esse desvio de recursos para a cesta Copa cria um pico temporário de demanda que beneficia toda a cadeia de fornecedores da indústria de alimentos e bebidas, da agroindústria às distribuidoras regionais.

Bares e restaurantes são outro elo que entra em campo com vantagem. O mesmo estudo da Data‑Makers para o Resenha Digital Clube aponta que 76% dos consumidores pretendem assistir a algum jogo fora de casa, em bares, restaurantes ou espaços coletivos, o que tende a elevar a ocupação, o tíquete médio e a frequência em estabelecimentos de food service. Em capitais e grandes centros, casas especializadas e redes já tratam o torneio como uma “alta temporada extra”, reforçando equipes, estoques e pacotes promocionais em dias de partidas da seleção, movimento descrito em relatórios setoriais e em entrevistas de entidades como a Abrasel em Copas anteriores. A expectativa do setor é repetir o padrão de outros Mundiais, quando o faturamento cresceu acima da média em dias de jogo, especialmente nas fases decisivas.

O aumento de gastos não é trivial: um levantamento recente sobre comportamento de consumo na Copa, divulgado por veículos como Correio da Manhã com base em pesquisa nacional, aponta que 74% dos brasileiros devem consumir mais durante a competição e 80% admitem a possibilidade de comprar sem planejamento ao longo do torneio. Caso o Brasil avance, 47% dos entrevistados declararam que podem elevar ainda mais seus gastos, o que adiciona um componente de incerteza positiva à conta de bares, restaurantes e supermercados. Para além do impacto direto na receita, o Mundial ainda reforça a capacidade desses negócios de se posicionarem como pontos de encontro e sociabilidade, algo que tende a gerar fidelização e recorrência pós‑evento, como destacam análises de consultorias de marketing e consumo.

A Copa também volta a ser um gatilho relevante para o segmento de eletroeletrônicos e tecnologia, em especial televisores. A edição de 2022 já havia mostrado o peso dessa categoria: estudo da CNC sobre o Mundial do Catar estimou em 544,5 milhões de reais as vendas extras de eletrodomésticos, sobretudo TVs, associadas à competição. Agora, com a ampliação do torneio para 48 seleções e mais jogos, a lógica de upgrade de tela ganha combustível: levantamentos de empresas como Kantar e MindMiners mostram que cerca de sete em cada dez brasileiros afirmam que pretendem assistir à Copa, 85% pela TV aberta, mas algo em torno de metade usando diferentes telas em uma jornada multiplataforma. Esse comportamento empurra a demanda por TVs maiores, aparelhos 4K, soundbars, conexões mais robustas de banda larga e pacotes de streaming esportivo, tendência captada em estudos de consumo de mídia esportiva publicados por Kantar e por plataformas especializadas.

A audiência fragmentada, porém massiva, abre uma avenida para mídias e anunciantes. Dados da MindMiners e de consultorias do setor, compilados em relatórios como “Como a Copa do Mundo influencia o consumo da torcida”, indicam que a Copa continua sendo um dos eventos de maior mobilização do país: 77% dos consumidores pretendem acompanhar o torneio, e 56% dos fãs de esportes dizem dar preferência às marcas que patrocinam ou se associam ao Mundial. Para o mercado publicitário, isso significa semanas de inventário premium em TV aberta, TV por assinatura, plataformas digitais, redes sociais e influenciadores, com campanhas 360° e forte presença no ponto de venda. O Mundial reforça um ciclo no qual, além de vender mais, as empresas compram visibilidade e constroem reputação em um contexto de atenção máxima.

No plano internacional, as expectativas ajudam a explicar por que há tanto dinheiro em campo. Projeções citadas em relatórios do Bank of America estimam que a Copa de 2026 deve movimentar cerca de 41 bilhões de dólares na economia global e gerar mais de 800 mil empregos, somando impactos diretos e indiretos em Estados Unidos, Canadá e México. A Fifa, por sua vez, mira receitas na casa de 10 bilhões a 11 bilhões de dólares no ciclo atual, bem acima dos 7 bilhões de dólares do Mundial de 2022, segundo seus próprios balanços e projeções financeiras. Embora a maior parte desse fluxo fique concentrada nos países‑sede, o Brasil participa dessa engrenagem por meio de marcas globais que operam aqui, campanhas regionais e uma base de torcedores que figura entre as mais engajadas do planeta.

A Copa do Mundo não redesenha os fundamentos macroeconômicos do Brasil, mas cria um choque de demanda concentrado que redistribui renda dentro da própria economia, como apontam estudos acadêmicos e análises da própria CNC sobre os efeitos de grandes eventos esportivos. Varejo alimentar, bares e restaurantes, eletroeletrônicos, telecomunicações, mídia e publicidade aparecem como os principais ganhadores dessa edição, apoiados em um consumidor disposto a gastar mais e em uma indústria preparada para transformar paixão em faturamento. O desafio, para empresas e marcas, é converter esse boom episódico em relacionamento duradouro, usando a Copa como porta de entrada para fidelizar clientes e sofisticar o uso de dados em um mercado cada vez mais competitivo.Já o desafio do torcedor é acreditar que a seleção tem chances de conquistar o torneio, o que parece um sonho distante mesmo para os mais aficcionados.

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