Mundo
Seleção do Irã chega ao México para disputar a Copa do Mundo
O time vai disputar os jogos nos Estados Unidos, mas não poderá pernoitar no país de Donald Trump
A seleção do Irã chegou ao México, neste domingo 7, para estabelecer seu campo base em Tijuana para disputar uma Copa do Mundo de futebol complicada pela guerra com os Estados Unidos, que negaram vistos para alguns membros da equipe técnica para os jogos previstos em seu território.
O avião com o elenco iraniano pousou no aeroporto de Tijuana por volta das 5h locais.
Em suas primeiras declarações, o técnico iraniano, Amir Ghalenoei, agradeceu ao México e à FIFA por permitirem sua chegada, mas denunciou que este devia ter ocorrido “na semana passada” para permitir à equipe se adaptar à diferença de horário de 12 horas.
“Nestes torneios, antes das questões técnicas, devem ser respeitadas as considerações éticas e humanas, o que no nosso caso não ocorreu”, acrescentou.
Após meses de incertezas sobre sua participação no Mundial, a seleção iraniana será o foco político desta edição do torneio, realizada na América do Norte, pois nunca antes um país participante da competição esteve em guerra com um país anfitrião.
O avião com os jogadores e o corpo técnico aterrissou em um aeroporto fortemente vigiado, patrulhado por soldados da Guarda Nacional mexicana. Os iranianos eram aguardados por um pequeno grupo de torcedores que agitavam bandeiras do Irã.
Em Tijuana, situada na fronteira com os Estados Unidos, a segurança foi reforçada antes da chegada da seleção iraniana, constatou a AFP. Agentes da Guarda Nacional fortemente armados vigiam o estádio onde o ‘Team Melli’ vai treinar, assim como o hotel onde vão pernoitar.
‘Por que tão tarde?’
O capitão da equipe, Ehsan Hajsafi, expressou sua queixa à FIFA pelo atraso na obtenção dos vistos americanos. “Por que tão tarde?”, questionou.
Hajsafi ressaltou o contexto difícil da participação do Irã na Copa, pois “no último ano, vivemos duas guerras impostas no nosso país”.
Mas acrescentou que a equipe está “100%” e confiante em avançar na fase de grupos.
Outro jogador, Alireza Jahanbakhsh, disse que a situação da equipe é “positiva”, após uma boa concentração.
“Estamos fazendo tudo o possível para nos prepararmos para a primeira partida contra a Nova Zelândia”, acrescentou.
A seleção do Irã, que deve disputar dois jogos em Los Angeles e um em Seattle durante a fase de grupos, competirá em condições extremamente inusuais.
A pouco mais de uma semana para sua estreia, as condições de entrada e saída dos Estados Unidos permanecem incertas, e várias instituições iranianas mencionaram medidas diferentes.
O governo americano concedeu vistos para os jogadores, mas não para todos os membros da equipe técnica.
Cerca de quinze membros da delegação receberam uma negativa, entre eles o presidente da Federação de Futebol do Irã (FFIRI), Mehdi Taj, que serviu na Guarda Revolucionária, exército ideológico do país, considerado uma organização terrorista por Washington.
Neste Mundial, organizado de forma conjunta por Estados Unidos, México e Canadá, a equipe asiática enfrentará a Nova Zelândia em sua primeira partida pelo Grupo G na segunda-feira, 15 de junho, em Los Angeles.
Embora os jogadores tenham conseguido obter os vistos, o embaixador iraniano no México disse, durante uma coletiva de imprensa no sábado em Tijuana, que a seleção de seu país só poderá entrar e sair dos Estados Unidos “no mesmo dia” de suas partidas.
No entanto, o porta-voz da Federação de Futebol do Irã (FFIRI) havia dito anteriormente que os jogadores chegariam aos Estados Unidos na véspera de sua primeira partida e dois dias antes dos outros dois jogos.
Neste domingo, o presidente da FFIRI, Mehdi Taj, mencionou, em declarações à TV iraniana, que a seleção tinha o direito de entrar nos Estados Unidos na véspera das partidas.
Nem os EUA, nem a FIFA se manifestaram sobre o assunto.
Restrições
Em Tijuana, os torcedores lamentaram as restrições.
“Não deveriam misturar futebol e política, são coisas muito diferentes”, disse à AFP Daniel Mercado, funcionário de um restaurante especializado em tacos próximo do hotel onde o ‘Team Melli’ ficará hospedado.
Para a delegação iraniana, os problemas com os vistos são apenas a ponta do iceberg de uma longa novela.
A maior parte dos jogadores da seleção compete no campeonato local, cancelado no fim de fevereiro após os primeiros ataques de Israel e dos Estados Unidos.
Por causa da guerra, iniciada em 28 de fevereiro, Teerã manteve a dúvida sobre a presença ou não de sua seleção na Copa do Mundo.
Inclusive o presidente americano, Donald Trump, enviou sinais contraditórios a respeito, afirmando que os iranianos eram bem-vindos, mas que deveriam reconsiderar sua participação por motivos de segurança.
Por fim, sua presença foi confirmada, mas o Irã mudou seu campo base, inicialmente previsto para Tucson, no estado americano do Arizona, para
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