Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Percussionista Michelle Abu lança 2º álbum: ‘Não existe música brasileira sem tambor’

Com 30 anos de carreira, a artista apresenta um novo disco autoral e aproxima a percussão de uma sonoridade contemporânea

Percussionista Michelle Abu lança 2º álbum: ‘Não existe música brasileira sem tambor’
Percussionista Michelle Abu lança 2º álbum: ‘Não existe música brasileira sem tambor’
Novo disco de Michelle Abu trabalho autoral que reafirma a percussão como centro de gravidade da música brasileira (Foto: Gal Oppido)
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Formada na cena da música afro-baiana de Salvador há cerca de 30 anos, a percussionista Michelle Abu lança seu segundo álbum, Qual É o Tambor.

O disco reúne participações de Karol Conká, Otto, Catto, Lirinha, Paulinho Santos, ex-integrante do Uakti, e do coral indígena Os Guaranis. Nas faixas, Michelle canta, toca bateria e percussão, costurando ritmos tradicionais a uma sonoridade contemporânea.

A artista conta que as músicas nasceram de “grooves percussivos” estudados durante a pandemia. A partir deles, o álbum foi ganhando corpo, atravessado por carimbó, pagodão baiano, baião, música indígena e toques afro-religiosos.

“Sou apaixonada pela cultura brasileira. Gosto de visitar as manifestações culturais. Não é só pegar um disco e escutar. É ir lá, sentir o cheiro, comer a comida, ouvir os sons que estão acontecendo naquela manifestação. É uma coisa minha de pesquisadora que ainda quero intensificar”, diz.

Michelle cita duas experiências recentes que alimentaram sua criação: o Sairé, em Alter do Chão, no Pará, onde tocou ao lado de mestres do carimbó, e o Bembé do Mercado, celebração afro-brasileira realizada em Santo Amaro, na Bahia.

Da vivência entre festa, rito e rua, veio a convicção: “Não existe música brasileira sem tambor.”

Ao longo da carreira, Michelle Abu já tocou com nomes como Ira!, Arnaldo Antunes, Elza Soares, Maria Alcina, Paulo Miklos e Margareth Menezes. A experiência nos palcos, porém, também escancarou uma barreira persistente: o machismo na música, especialmente para mulheres que ocupam instrumentos historicamente associados aos homens.

“A gente tem conquistado espaço, mas não pode parar, porque ainda existe machismo. Quando chego em um lugar para tocar, as pessoas falam: ‘Você é a cantora’. Eu digo: ‘Não, sou baterista’”, conta.

“Existe um machismo na música. É muito importante a gente estar se colocando”

Assista à entrevista de Michelle Abu a CartaCapital:

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