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Marjane Satrapi, autora de ‘Persépolis’, morre aos 56 anos

Reconhecida como um dos nomes mais destacados dos quadrinhos internacionais, escritora franco-iraniana faleceu em Paris pouco mais de um ano após perder o marido

Marjane Satrapi, autora de ‘Persépolis’, morre aos 56 anos
Marjane Satrapi, autora de ‘Persépolis’, morre aos 56 anos
Marjane Satrapi em 25 de outubro de 2024. Foto: Miguel Riopa/AFP
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A escritora, ilustradora e realizadora franco-iraniana Marjane Satrapi, que alcançou renome internacional com o quadrinho autobiográfica Persépolis, que virou filme posteriormente, morreu nesta quinta-feira 4 em Paris aos 56 anos, segundo um comunicado de sua família.

“Marjane Satrapi morreu de tristeza pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida”, informou à família da escritora num comunicado enviado à agência de notícias AFP.

Satrapi era reconhecida como um dos nomes mais destacados dos quadrinhos internacionais. Artista, cineasta, quadrinista, desenhista e pintora, ela ganhou fama no ano 2000 com Persépolis, posteriormente adaptado para o cinema e indicado ao Oscar.

Exemplo de tolerância e de defesa da liberdade e dos direitos das mulheres, em 2024 foi reconhecida com o Prêmio Princesa de Astúrias de Comunicação e Humanidades por sua “ousadia e produção” e por ser “uma das pessoas mais influentes no diálogo entre culturas e gerações”.

Infância no Irã

Satrapi nasceu em 22 de novembro de 1969 em Rasht, no Irã. Vinda de uma família abastada e progressista, estudou no Liceu Francês de Teerã até que, em 1979, com a Revolução Islâmica, as escolas bilíngues foram fechadas.

Devido à situação política após a Revolução Iraniana de 1979, Satrapi foi enviada pelos pais para um internato em Viena, na Áustria, para concluir o ensino médio, e depois retornou ao Irã para estudar Belas Artes na Universidade de Teerã, além de cursar um mestrado em Comunicação Visual.

Em 1994, a autora se mudou para a França, morando primeiro em Estrasburgo e depois em Paris, cidade onde se estabeleceu. A partir de 1997, decidiu se dedicar à ilustração de livros infantis, como Os monstros não gostam da lua, sobre os medos infantis do escuro.

Depois de conhecer o desenhista e roteirista Christophe Blain, passou a colaborar com o coletivo L’Association, que lhe propôs fazer um quadrinho baseado em suas lembranças de infância e adolescência no Irã.

Dessa parceria surgiu, em 2000, o primeiro volume de Persépolis, que narra a Revolução Iraniana de 1979 a partir da perspectiva de uma adolescente. Um ano depois, foi publicado o segundo volume.

Persépolis

Persépolis narra a história do Irã nas décadas de 1970 e 1980 a partir de uma perspectiva estritamente pessoal. A protagonista é filha de pais ricos, liberais e ocidentalizados.

Ainda criança, ouve com atenção os comentários a respeito de um tio comunista, que é torturado em uma das prisões do regime do xá. Corajosa, a jovem Marjane enfrenta os novos tempos com rebeldia, ao carregar nas costas os dizeres “Punk is not dead” (O punk não está morto), mesmo diante da obrigatoriedade de usar o véu muçulmano.

Com o início da ditadura religiosa que se segue, a situação se agrava ainda mais, e o tio acaba sendo assassinado pelos “Guardiães da Revolução”. Marjane tem 14 anos quando começa a guerra entre Irã e Iraque. Por receio de que aconteça algo à filha, seus pais a enviam para um internato na Áustria, onde a adolescente se vê confrontada com uma série de novos conflitos: a solidão e o sentimento de estar à parte de uma sociedade.

Depois dessa experiência, ela resolve retornar ao Irã, onde se casa, se separa e mais tarde resolve voltar à Europa, mudando-se para Paris.

Para muitos, Persépolis é considerada uma das melhores graphic novel já publicadas. Em 2007, a obra foi adaptada para o cinema, em parceria com o também quadrinista Vincent Paronnaud. O filme venceu o prêmio da crítica em Cannes 2007 e o prêmio César 2008 de melhor roteiro adaptado, além de ter sido indicado ao Oscar de 2008 de melhor filme de animação.

Escreveu ainda Frango com ameixas (2004), que mais uma vez evocava seu país por meio da história de um homem que perdeu a vontade de viver, e Bordados (2003). Para o cinema, dirigiu Frango com ameixas (2011), novamente com Vincent Paronnaud; La Bande des Jotas (2013) e As vozes (2014).

Além disso, coordenou em 2023 o quadrinho Mulher, vida, liberdade, uma obra coletiva de não ficção da qual participaram cerca de 20 quadrinistas, entre eles os espanhóis Paco Roca e Patricia Bolaños. A obra relembra Mahsa Amini, a jovem que morreu após agressões da polícia da moral por não usar corretamente o véu, e outros protagonistas da chamada “Revolução do Véu”.

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