Política

Como impasse em Minas desafia a estratégia eleitoral de Lula

O presidente amplia agendas em SP, Rio e Minas, o ‘Triângulo das Bermudas’ das eleições, mas a indefinição sobre o palanque mineiro preocupa aliados

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O presidente Lula (PT). Foto: Daniel Ramalho/AFP
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Eleições 2026

A desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB) de disputar o governo de Minas Gerais abriu um problema estratégico para o presidente Lula (PT) a quatro meses da eleição. Depois de apostar na candidatura do ex-presidente do Senado para enfrentar a direita no estado, o PT agora busca uma solução para garantir um palanque competitivo em um dos territórios decisivos da política nacional.

O desafio ocorre no momento em que Lula intensifica sua presença nos três maiores colégios eleitorais do País – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro –, grupo conhecido nos bastidores políticos como o “Triângulo das Bermudas” das eleições presidenciais, pela capacidade de definir os rumos das disputas nacionais.

Levantamento de CartaCapital sobre as agendas presidenciais mostra que São Paulo é o estado mais visitado por Lula em 2026 (nove vezes), seguido pelo Rio de Janeiro (seis) e por Minas Gerais (quatro). O movimento reflete uma estratégia de concentração de esforços no Sudeste em um ano eleitoral, com inaugurações de obras, entregas de programas federais e maior exposição pública do presidente. 

Enquanto o petista conta com o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) em São Paulo e com  o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) no Rio de Janeiro, Minas se tornou o principal foco de preocupação do Palácio do Planalto.

A indefinição é considerada um entrave até mesmo para a programação de agendas presidenciais no estado. Inaugurações de obras e de institutos federais aguardam uma definição sobre o cenário político local para integrarem o calendário presidencial.

Desde que Pacheco confirmou que deixará a vida pública ao término do mandato, o PT voltou a discutir alternativas. Entre os mencionados nas conversas aparecem a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, o deputado federal Reginaldo Lopes, o empresário Josué Gomes, o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. Nenhum deles, porém, reúne até o momento o mesmo potencial eleitoral atribuído por Lula ao senador do PSB.

Vença em Minas, vença o Brasil…

A preocupação do presidente tem relação direta com o peso histórico de Minas Gerais nas eleições nacionais. Desde a redemocratização, o estado se tornou termômetro da política brasileira. Dos nove presidentes eleitos pelo voto direto desde 1945, oito venceram também a disputa entre os eleitores mineiros. A única exceção foi Getúlio Vargas, em 1950, quando chegou à Presidência mesmo sem ser o candidato mais votado no estado.

O histórico ajuda a explicar a insistência de Lula em encontrar uma candidatura competitiva para Minas. Em 2022, o petista venceu a disputa no território mineiro, reforçando uma tradição segundo a qual o resultado local costuma antecipar o desfecho nacional.

Nos bastidores, petistas admitem que a situação se tornou mais delicada após meses de investimento na tentativa de convencer Pacheco a entrar na corrida pelo Palácio Tiradentes. Agora, a legenda se divide entre defender uma candidatura própria, construir uma aliança com partidos aliados ou buscar um nome de consenso fora dos quadros petistas.

A expectativa é que o próprio Lula participe das negociações nas próximas semanas. O presidente já foi informado sobre as alternativas discutidas em Minas e deverá trabalhar diretamente para tentar destravar o cenário em um estado decisivo para seus planos de reeleição.

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