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Esquerda x extrema-direita: Cepeda e De La Espriella vão ao 2º turno na Colômbia

A segunda rodada do pleito ocorrerá em 21 de junho

Esquerda x extrema-direita: Cepeda e De La Espriella vão ao 2º turno na Colômbia
Esquerda x extrema-direita: Cepeda e De La Espriella vão ao 2º turno na Colômbia
Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella disputarão o segundo turno presidencial na Colômbia. Fotos: Luis Acosta e Raul Arboleda/AFP
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O candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella disputará a Presidência da Colômbia em um segundo turno contra Iván Cepeda, da esquerda governista, após um primeiro turno apertado realizado neste domingo 31.

Com 99% dos votos apurados, o excêntrico advogado e admirador de Donald Trump venceu com 43,77%, impulsionado por sua proposta linha-dura contra a violência da última década no país.

Em 21 de junho, ele voltará a enfrentar o senador Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, o primeiro político de esquerda a governar a Colômbia, que não podia disputar a reeleição. Apesar de liderar a maioria das pesquisas, Cepeda ficou em segundo lugar, com 40,9% dos votos.

“O Estado é criado para oferecer segurança. Se não cumpre sua missão, para que temos Estado?”, disse à AFP Víctor Castellanos, professor universitário de 32 anos.

Com um discurso antissistema e apelidado de “El Tigre”, De la Espriella encarna a rejeição ao presidente Petro, que promoveu negociações de paz com todos os grupos armados do país sem conseguir pôr fim à violência após o acordo de paz com a guerrilha das Farc em 2016.

Até o segundo turno, o candidato de extrema-direita poderá buscar mais apoios entre os setores da direita, que chegaram divididos a esta eleição. A candidata Paloma Valencia, herdeira política do ex-presidente de direita Álvaro Uribe, ficou em um distante terceiro lugar, com 6,9%.

Por sua vez, a esquerda tentará ampliar seu apoio entre os eleitores de centro e as classes populares, onde continua muito popular graças aos programas sociais promovidos por Petro.

Pela “segurança”

De la Espriella votou pela manhã em Barranquilla, a cidade caribenha que considera sua casa, cercado por seguranças com escudos à prova de balas.

“Hoje estamos defendendo a democracia e a liberdade da Colômbia. Esta é a batalha mais importante da história republicana e vamos vencer no primeiro turno para derrotar a tirania e derrotar os de sempre””, declarou o advogado, que já defendeu diversas personalidades, incluindo narcotraficantes e estrelas do futebol.

De la Espriella propõe reduzir em 40% o tamanho do Estado para enfrentar a crise fiscal e incentivar o investimento privado.

Também promete extinguir o tribunal criado a partir do acordo de paz e adotar medidas radicais, como a pena de morte ou prisão “dez andares abaixo da terra” para mafiosos.

A campanha ocorreu em um ambiente de polarização e medo, marcado por atentados mortais atribuídos a guerrilhas, o assassinato de um candidato presidencial em 2025 e a recusa dos principais candidatos em participar de debates.

Cepeda e De la Espriella não discutiram suas propostas frente a frente, apesar dos múltiplos convites feitos por universidades e veículos de comunicação.

Os apoiadores do advogado simpatizam com a saudação militar e referências ao patriotismo. Neste domingo, muitos votaram vestindo a camisa da seleção colombiana de futebol.

“Vejo nele um homem decidido, de personalidade (…) A segurança é o que precisamos neste momento”, disse à AFP Kelly Mayorga, vendedora de flores de 43 anos.

“Surpreende”

O resultado deste domingo representa um revés para Cepeda, de 63 anos, que pretendia vencer no primeiro turno obtendo mais da metade dos votos.

Filho de um político comunista assassinado por agentes estatais e paramilitares, o senador votou em um bairro popular de Bogotá onde cresceu antes de se exilar na antiga Tchecoslováquia, na Bulgária e em Cuba devido à perseguição sofrida por seu pai.

“Vamos celebrar o segundo governo progressista na Colômbia”, afirmou mais cedo o candidato, filósofo e defensor dos direitos humanos que costuma estar cercado por indígenas, camponeses e ambientalistas.

Na sede de campanha de Cepeda, em Bogotá, o clima era de desânimo.

“Nos surpreende o avanço da extrema-direita”, disse Jorge Enrique Cortés, professor de 69 anos.

Com uma campanha sóbria, Cepeda recebeu apoio direto de Petro. O presidente, ex-guerrilheiro que assinou a paz em 1990, foi o grande protagonista da campanha após um governo disruptivo no qual entrou em confronto com o Congresso, os tribunais, a Procuradoria-Geral e o banco central.

Cepeda propõe dar continuidade às políticas de Petro e aposta nos “excluídos” em um dos países mais desiguais do mundo.

A oposição o critica por ser um dos arquitetos da “Paz Total”, política com a qual Petro tentou, sem sucesso, negociar com as organizações que permaneceram armadas após o acordo firmado com as Farc.

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