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O que se sabe sobre o possível acordo entre Estados Unidos e Irã

Os dois lados mencionaram nos últimos dias progressos nas discussões para um acordo, embora, ao mesmo tempo, tenham trocado ataques esporádicos

O que se sabe sobre o possível acordo entre Estados Unidos e Irã
O que se sabe sobre o possível acordo entre Estados Unidos e Irã
O Irã resiste e dificulta os planos de Trump – foto: ATTA KENARE / AFP
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Estados Unidos e Irã avançam lentamente rumo a um acordo para estender o cessar-fogo na guerra do Oriente Médio e estabelecer uma estrutura para negociações de paz de mais longo prazo, embora ambas as partes pareçam divergir em pontos-chave.

Os dois lados mencionaram nos últimos dias progressos nas discussões para um acordo, embora, ao mesmo tempo, tenham trocado ataques esporádicos que colocaram a trégua em risco.

Com os preços do petróleo voltando a cair diante da expectativa de um entendimento, isto é o que se sabe sobre o conteúdo do documento:

Reabertura de Ormuz?

Fontes americanas confirmaram à AFP a informação divulgada pela plataforma de notícias Axios de que as partes concordaram com um memorando de entendimento para ampliar o cessar-fogo e iniciar negociações sobre o programa nuclear do Irã.

Segundo o acordo relatado, o Irã, que bloqueou o estreito de Ormuz e busca cobrar pedágio dos navios por sua passagem, reabriria essa via vital para o transporte de hidrocarbonetos.

Tráfego no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã em 21 de abril de 2026. Foto: Marinetraffic.com/AFP

O Irã retiraria todas as minas que colocou na rota marítima em um prazo de 30 dias e, em troca, a Marinha dos Estados Unidos encerraria as tentativas de impor um bloqueio ao tráfego marítimo de e para os portos iranianos.

Em uma publicação na Truth Social, Trump afirmou que o Irã encerraria seu bloqueio “sem pedágios”, mas fontes iranianas citadas pela agência de notícias Fars negaram que tal cláusula exista no rascunho.

Fontes iranianas citadas por meios de comunicação locais indicaram que qualquer acordo só estará concluído quando for anunciado por Teerã, enquanto o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, respondeu que a decisão final para aprová-lo caberá ao presidente Donald Trump.

Ativos congelados

O Irã havia afirmado anteriormente que preparava um acordo-quadro de 14 pontos para encerrar a guerra “em todas as frentes”, incluindo o Líbano, onde Israel intensificou seus ataques contra o movimento pró-Irã Hezbollah.

As autoridades iranianas divulgaram apenas as linhas gerais da proposta, embora a imprensa local tenha publicado alguns detalhes adicionais.

Na segunda-feira 25, negociadores iranianos viajaram ao Catar para manter conversas que os meios estatais descreveram como parte do processo diplomático.

A agência Tasnim informou que Teerã buscava a liberação de cerca de 24 bilhões de dólares (R$ 121,1 bilhões) em ativos iranianos congelados no exterior como parte do acordo.

Cerca de 12 bilhões de dólares (R$ 60,6 bilhões) “deveriam ser disponibilizados no momento do anúncio do memorando”, informou a Tasnim.

A Fars também citou fontes iranianas que afirmavam que Teerã não passaria para a próxima fase das negociações até que fossem liberados pelo menos 12 bilhões de dólares, enquanto Trump disse em sua publicação que “nenhum dinheiro será liberado até novo aviso”.

Não há uma cifra oficial sobre os ativos iranianos congelados no exterior, embora veículos locais tenham estimado recentemente o total entre 100 bilhões de dólares (R$ 504,5 bilhões) e 123 bilhões de dólares (R$ 620,5 bilhões).

Programa nuclear

Autoridades iranianas disseram que os detalhes relacionados ao programa nuclear do Irã, um importante ponto de discórdia com Washington, seriam adiados para uma etapa posterior, depois de alcançar um acordo sobre o âmbito das negociações.

A imprensa iraniana informou que os níveis de enriquecimento de urânio e o destino dos estoques de urânio altamente enriquecido do Irã seriam negociados no período de 60 dias posterior ao memorando.

Trump insistiu em uma publicação que ambos os países coordenariam a retirada e a destruição de urânio enriquecido do Irã, uma afirmação sem fundamento segundo fontes iranianas citadas pela Fars.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano também indicou que atualmente “não há negociações” em andamento sobre o programa nuclear.

Ainda não está claro o que o memorando inicial dirá sobre a questão nuclear.

Garantias

Uma das principais exigências de Teerã são garantias de que Washington respeitará seus compromissos, especialmente depois que Trump ordenou, em seu primeiro mandato, a retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo firmado em 2015 entre o Irã e seis grandes potências sobre seu programa nuclear.

Segundo as informações publicadas, a minuta do texto estabelece que os dois países entrarão em um período de negociações de 60 dias após a assinatura do memorando. No entanto, não foram especificados os temas que serão tratados.

O principal negociador do Irã também expressou ceticismo em relação às garantias dos Estados Unidos e afirmou que Teerã confiaria somente nas ações concretas de Washington, e não em suas palavras.

Se as partes chegarem a um acordo, o texto final será apresentado ao Conselho de Segurança da ONU para aprovação, o mais alto nível de garantia reconhecido pelo direito internacional.

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