Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
Depois de ‘Desmanche’, Buhr oferece uma nova sonoridade em ‘Feixe de Fogo’
No álbum recém-lançado, a cantora e compositora insere guitarras e sintetizadores em músicas de temática existencial
O álbum Desmanche (2019), o quarto de Buhr, foi um trabalho forte e político que virou um marco na carreira da cantora e compositora. Sete anos depois, ela apresenta Feixe de Fogo, com uma nova sonoridade.
“Sempre faço voz e percussão. Em Desmanche, resolvi trazer isso mais para frente. Foi um disco mais percussivo, e agora deu vontade de ir para o outro lado”, contou, em entrevista a CartaCapital. “É um disco cheio de sintetizadores e guitarra. Tem a percussão também, mas ela está mais misturada.”
Karina Buhr, agora apenas Buhr — reforçando sua identidade de pessoa não-binária —, chamou Rami Freitas para coproduzir Feixe de Fogo por sua relação estreita na busca por timbres e adoção de sintetizadores.
Para dar peso ao novo trabalho e fortalecer o redirecionamento sonoro, Burh convidou instrumentistas de peso para gravar: maestro Ubiratan Marques (sintetizadores e arranjos de metais e de violoncelo), Arto Lindsay, Fernando Catatau e Edgard Scandurra (os três na guitarra), e Dadi (baixo).
O disco também tem a participação no vocal de Moon Kenzo, Josyara, Negadeza e Russo Passapusso. O conjunto de 11 faixas revela mais uma vez a independência da cantora para impor suas ideias. “Tem muita música diferente uma da outra”, resume. “Para mim, está tudo misturado.”
Cada música parece ter uma história, mas elas se vinculam em um movimento de liberdade de criação.
Buhr se estabeleceu na música cantando e tocando percussão em nações de maracatu no Recife (nasceu em Salvador, mas foi ainda pequena para a capital pernambucana) e carregou essa tradição ao longo de sua carreira.
Em Feixe de Fogo, apresenta de forma mais orgânica a percussão nos arranjos, refletindo a mudança que torna o disco menos feroz e mais introspectivo. É a representação de uma nova fase da cantora.
Assista à entrevista de Buhr a CartaCapital:
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