Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
Em cartaz no cinema, ‘Alma Negra’ contextualiza o soul brasileiro
O filme parte dos quilombos para entender o movimento dos bailes black nos anos 1970
O documentário Alma Negra – Do Quilombo ao Baile (102 min.), de Flavio Frederico, que chegou a cinemas brasileiros neste mês, oferece um bom resgate histórico para explicar o importante movimento musical negro dos anos 1970, em meio à ditadura no Brasil.
O longa-metragem é mais um documento importante surgido nos últimos anos contra o apagamento (proposital) dos bailes black e do soul brasileiro. Há depoimentos marcantes sobre o caminho até a ascensão do movimento há cerca de 50 anos. Na lista estão a socióloga Edneia Gonçalves, o produtor cultural Dom Filó e o historiador Carlos Alberto Medeiros.
A música regia todo aquele momento e diversos artistas despontavam na cena, a exemplo de Tim Maia, Jorge Ben, Hyldon, Cassiano, Carlos Dafé, Gerson King Combo e Tony Tornado.
O filme mostra como o racismo sutil e velado – principalmente no período ditatorial – operou contra o movimento, a ponto de apagá-lo de nossa história recente.
É interessante também observar as visões da direita e da esquerda à época sobre a ascensão do movimento negro, com influência da música negra dos Estados Unidos.
Para a direita, tratava-se de um perigoso ativismo americano — de grupos como Panteras Negras — no Brasil. Para a esquerda, era mais uma ação do imperialismo no País por meio da cultura.
O filme debate esses assuntos e reafirma o papel do quilombo, espaço não só de resistência do negro, mas de sociabilidade. Também apresenta muitas imagens da época e um excelente contexto de como se construiu o movimento da black music no Brasil.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Pupillo exalta os 30 anos do Afrociberdelia: ‘Utilizar a cultura como matéria-prima’
Por Augusto Diniz
Filha de João Gilberto lança seu 1º disco: ‘Demorei a entender a importância do meu pai’
Por Augusto Diniz
Paula Souto celebra 25 anos de carreira com um espetáculo autoral
Por Augusto Diniz



