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O que se sabe sobre a mudança do bilionário trumpista Peter Thiel para a Argentina
Cofundador do PayPal e um dos principais financiadores da direita radical nos EUA, o empresário encontrou afinidade ideológica com Milei e vê o país como ‘plano B’
O bilionário Peter Thiel, uma das figuras mais influentes da direita norte-americana e apoiador histórico do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, transferiu parte de sua vida para a Argentina e vem aprofundando sua relação com o governo de Javier Milei. Nos últimos meses, o empresário comprou uma mansão em Buenos Aires, matriculou os filhos em uma escola da capital argentina e intensificou encontros com integrantes da administração libertária do país.
A mudança vai além de uma simples decisão pessoal ou empresarial. Segundo o jornal The New York Times, relatos de pessoas próximas ao investidor expõem que Thiel passou a enxergar a Argentina como uma espécie de “plano B” diante de preocupações crescentes com o futuro dos Estados Unidos.
Entre os fatores citados estão propostas de aumento da tributação sobre grandes fortunas na Califórnia, estado onde construiu parte de sua trajetória empresarial, e temores recorrentes sobre conflitos globais, instabilidade institucional e impactos da inteligência artificial.
A aproximação com Milei também tem um forte componente ideológico. Eles compartilham posições favoráveis à redução do papel do Estado na economia, críticas aos impostos, oposição ao socialismo e rejeição ao que classificam como cultura “woke”.
Cofundador do PayPal e presidente da Palantir, empresa especializada em análise de dados com contratos relevantes junto ao governo norte-americano, Thiel se tornou um dos principais intelectuais e financiadores da nova extrema-direita dos Estados Unidos. Foi um dos raros nomes de peso do Vale do Silício a apoiar Trump desde a campanha de 2016, ajudando a aproximar parte da elite tecnológica do movimento conservador.
Embora se apresente como libertário, suas posições dialogam com correntes da direita radical e do conservadorismo cristão. Em seus discursos, costuma afirmar que as democracias ocidentais enfrentam um processo de decadência institucional e cultural. Também se tornou conhecido por suas críticas às universidades, ao multiculturalismo, às políticas identitárias e ao que considera excessiva intervenção estatal na economia.
Outra característica marcante de Thiel é seu interesse por temas considerados apocalípticos ou existenciais. O investidor já manifestou preocupação pública com guerras nucleares, colapsos civilizacionais e riscos associados ao avanço da inteligência artificial. Em Buenos Aires, segundo o NYT, chegou a promover encontros nos quais discutiu questões religiosas e o conceito do Anticristo com economistas e intelectuais locais.
A busca por alternativas fora dos Estados Unidos não é novidade em sua trajetória. Nascido na Alemanha e criado em território americano, Thiel obteve cidadania da Nova Zelândia em 2011 e posteriormente buscou um passaporte maltês. A instalação na Argentina se encaixa nesse histórico de diversificação geográfica e patrimonial, associado à ideia de manter opções abertas diante de cenários considerados adversos.
O governo Milei recebeu a chegada do empresário como um sinal de confiança internacional no programa econômico ultraliberal. Integrantes da administração destacaram ao NYT o interesse de Thiel pelas reformas de desregulamentação e abertura econômica promovidas pelo presidente. Entre apoiadores do governo, a presença do bilionário é frequentemente apresentada como evidência de que a Argentina estaria se tornando um “destino atraente para investidores globais”.
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