Entrevistas
Quem age contra a soberania é indigno de ser presidente, diz ex-chanceler sobre Flávio Bolsonaro
Soberania depende da capacidade de um país se pautar por suas próprias leis, enfatiza Aloysio Nunes
O ex-chanceler Aloysio Nunes afirmou a CartaCapital considerar o senador Flávio Bolsonaro (PL) indigno de se tornar presidente da República, após o pré-candidato ao Palácio do Planalto trabalhar para os Estados Unidos designarem como terroristas as facções criminosas PCC e Comando Vermelho.
Segundo o secretário de Estado, Marco Rubio, o governo de Donald Trump classificará as facções como “Organizações Terroristas Estrangeiras” a partir de 5 de junho. O republicano acelera desde 2025 o combate ao que chama de “narcoterrorismo”, enquanto o Brasil temia as implicações legais e de soberania caso essa designação passasse a contemplar o PCC e o CV.
A postura brasileira também resulta de uma avaliação técnica: facções são organizações criminosas voltadas ao lucro, sem motivação política ou ideológica – um elemento associado à definição de terrorismo no direito internacional.
O anúncio de Rubio ocorreu cerca de 48 horas após o encontro entre Trump e Flávio na Casa Branca. O senador afirmou ter solicitado a medida contra o PCC o CV.
“Um atributo central da soberania é a capacidade de um país reger-se por suas próprias leis. Flávio Bolsonaro e a extrema-direita defendem a aplicação de uma lei norte americana ao Brasil“, resumiu Nunes.
O ex-ministro das Relações Exteriores enfatiza: a lei brasileira tipifica como terrorismo determinados atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião.
“Não se aplica aos crimes do CV e do PCC, que são punidos pela Lei das Organizações Criminosas com penas mais severas que as cominadas ao terrorismo”, acrescentou Aloysio Nunes. “Preconizar a aplicação extraterritorial de uma lei norte americana no Brasil é agir contra nossa soberania. Quem faz isso é indigno de ser presidente da República.”
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Depois das facções, acusação de terrorismo de Trump pode alcançar qualquer brasileiro
Por Thiago Rodrigues
Fórum Brasileiro de Segurança Pública alerta para impacto de decisão e Trump sobre PCC e CV
Por CartaCapital
Decisão de Trump sobre PCC e CV é abusiva e afronta a soberania brasileira, diz ex-ministro da Justiça
Por Leonardo Miazzo



