CartaCapital
Compliance Zero/ Candidatíssimo a Bangu
O ex-governador Cláudio Castro volta a ser alvo da Polícia Federal
A aprovação popular ao massacre no Morro do Alemão, que deixou um saldo de 122 mortos em outubro do ano passado, encheu a mente do então governador Cláudio Castro de ilusões. Uma cadeira no Senado parecia garantida, bem como a influência na sucessão no Rio de Janeiro, quem sabe até uma posição de vice em uma chapa presidencial. Empolgado com os 15 minutos de fama, Castro prometeu no mínimo outras dez operações do mesmo naipe. Os cadáveres do Alemão não pesam sobre seus ombros, mas as relações com o banqueiro Daniel Vorcaro passaram a assombrá-lo. Na terça-feira 26, Castro foi alvo de busca e apreensão em uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga a transferência de 3 bilhões de reais do fundo de previdência dos servidores estaduais para o Master. Foi a segunda batida em menos de 15 dias. Segundo os investigadores, o ex-governador e o banqueiro tinham “vínculo próximo”. Castro sonhava com um apartamento funcional em Brasília, mas se aproxima cada vez mais de uma cela na penitenciária de Bangu. “Carta fora do baralho”, espalham os bolsonaristas.
Assassinatos em queda, IDH em alta
Dois dados animadores foram divulgados na terça-feira 26. O número de homicídios atingiu, em 2024, o menor patamar em 11 anos, de acordo com o Atlas da Violência. Ainda assim, se mantém em um nível inaceitável, só visto em guerras: 42,6 mil casos registrados. E, pela primeira vez, o Índice de Desenvolvimento Humano, medido pelas Nações Unidas, pode ser considerado “muito alto”. O IDH de 2024 chegou a 0,805. Quanto mais perto de 1, melhores as condições do país. Coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud em território nacional, a economista Betina Barbosa aponta o papel do Bolsa Família (aí Luciano Huck!) no avanço do indicador. A desigualdade continua, porém, vergonhosa.
Eleições/ Candidatíssimo a quê?
Aécio Neves renasce das cinzas e se lança à Presidência
O tucano coloca seu nome à disposição de um projeto incerto – Imagem: Alexsandro Loyola/PSDB Nacional
O baque na candidatura de Flávio Bolsonaro após a revelação do pedido de dinheiro ao “irmão” Vorcaro reacendeu as esperanças dos devotos da “terceira via”. Tamanha é a fé que até cadáveres políticos dão sinais de ressurreição. O deputado federal tucano Aécio Neves, em busca de um ninho, anda animado com a ideia de concorrer à Presidência da República, embora ninguém saiba se ele teria votos suficientes para se reeleger à Câmara ou disputar uma vaga no Senado. O dogma é o seguinte: a desilusão de parte do eleitorado bolsonarista abriria espaço para um anti-Lula de perfil supostamente mais moderado – Aécio, não esqueçamos, abriu a caixa de Pandora ao duvidar da lisura da eleição de Dilma Rousseff em 2014. Parte-se do princípio, não corroborado pelas pesquisas, que o eleitorado anseia por uma opção ao lulismo e ao bolsonarismo. O balão de ensaio está lançado e o ex-governador mineiro iniciou um périplo pelos meios de comunicação para se apresentar como o “nem-nem”, o nome capaz de romper a tal “polarização” blablablá. Haja devoção.
Irã/ Melhor esperar sentado
As negociações para o fim do conflito ainda sem desfecho
O Estreito de Ormuz continua interditado pelas forças iranianas – Imagem: Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP
Após os ataques norte-americanos ao sul do país, o governo iraniano denunciou a violação do cessar-fogo, mas se manteve na mesa de negociações. Mohammad Ghalibaf, presidente do Parlamento do Irã, permaneceu em Doha. Os negociadores tentam resolver os últimos pontos do acordo, que incluem o debloqueio de 12 bilhões de dólares em ativos do regime congelados pelo embargo dos Estados Unidos e o alívio das sanções à exportação de petróleo. Enquanto isso, Donald Trump convocou uma reunião de emergência com seus principais assessores, na quarta-feira 27, em Camp David, a residência oficial campestre a 110 quilômetros de Washington. Dias antes, Trump havia demonstrado otimismo com o desfecho das negociações. A alta do barril do petróleo afeta o preço dos combustíveis e o humor do eleitorado norte-americano. A popularidade do republicano se mantém nos níveis mais baixos desde a posse em janeiro de 2025. Os mercados financeiros globais continuam a oscilar, movidos pelas contradições que cercam as negociações no Catar. O Estreito de Ormuz permanece bloqueado.
Abuso na Suécia
Dez anos de prisão. Eis a pena sugerida pelo Ministério Público sueco a um homem de 62 anos acusado de obrigar a esposa a manter relações sexuais pagas com ao menos 120 homens. “Solicitei que o réu seja condenado por lenocínio qualificado. Tanto por ter facilitado esses atos quanto por ter obtido um benefício econômico com eles”, informou a promotora Ida Annerstedt. “Os fatos tiveram uma magnitude considerável, geraram lucros significativos e constituíram uma exploração impiedosa da denunciante.”
Crime/ Foragido do PCC preso na Bolívia
Gerson Palermo estava sumido havia seis anos
Palermo foi agraciado pela boa vontade de um desembargador – Imagem: Polícia Nacional da Bolívia/FELCN/Polícia Federal do Brasil
Apontado como um dos líderes do PCC, Gerson Palermo foi capturado na terça-feira 26 em Santa Cruz de la Sierra por agentes da força de combate ao narcotráfico na Bolívia após ter fugido do Brasil em 2020. Condenado a 126 anos de prisão, Palermo havia obtido um habeas corpus durante o plantão do desembargador Divoncir Maran, em Mato Grosso do Sul. A polícia investiga o histórico do magistrado. Sabe-se que a mulher de Maran adquiriu uma casa espaçosa e pagou com dinheiro vivo. Em fevereiro, o Conselho Nacional de Justiça aplicou ao desembargador aquele tipo de punição que mais parece um prêmio: a aposentadoria compulsória, sem o corte dos vencimentos. Além de organizar o tráfico internacional da facção, Palermo esteve envolvido em roubos espetaculares. O mais famoso foi o sequestro, em agosto de 2000, de um Boeing 737 da antiga Vasp que ia de Foz do Iguaçu para Curitiba. A quadrilha estava atrás de nove malotes do Banco do Brasil com cerca de 5,5 milhões de reais.
Publicado na edição n° 1415 de CartaCapital, em 3 de junho de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A Semana’
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