Educação
Lula critica ultradireita e alerta para ‘colonialismo digital’ em fórum com reitores africanos
Presidente afirmou que universidades são alvo de ataques por promoverem pensamento crítico e disse que algoritmos podem se tornar instrumentos de dominação
O presidente Lula (PT) fez críticas à extrema-direita e ao poder concentrado das grandes empresas de tecnologia durante a abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, nesta segunda-feira 25, em Brasília. No discurso, o petista afirmou que universidades sofrem ataques porque são espaços de formação de consciência crítica e alertou para os riscos do que chamou de “colonialismo digital”.
O evento reúne 70 reitores brasileiros e 64 reitores africanos de mais de 30 países e busca ampliar a cooperação acadêmica e científica entre o Brasil e o continente africano.
Ao defender o papel das universidades, Lula afirmou que “a extrema-direita não tolera a autonomia das universidades” e acusou esses grupos de tentarem “calar professores e estudantes”. Segundo o presidente, setores extremistas “negam a ciência, censuram as artes e transformam as salas de aula em instrumentos de doutrinação”.
O presidente também associou o ambiente universitário às lutas sociais e anticoloniais. “O pensamento crítico caminha lado a lado com a luta anticolonial e o combate ao racismo, à misoginia, à xenofobia e a todas as formas de discriminação”, disse.
Ao abordar o avanço da inteligência artificial, o presidente afirmou que a tecnologia é estratégica, mas alertou para a concentração de poder nas mãos de poucas empresas e países. “O colonialismo digital é uma ameaça real e imediata”, declarou. Segundo Lula, “nas mãos de poucos países e poucas empresas, os algoritmos se transformaram em instrumento de dominação”.
De acordo com o presidente, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê 20 milhões de dólares para projetos conjuntos com países da África, Ásia e América Latina, além de 10 milhões de dólares para compartilhamento de infraestrutura brasileira de IA.
Lula também afirmou que o Brasil tem “um compromisso histórico” com a África e voltou a defender prioridade para o continente na política externa brasileira. Segundo ele, o fórum entre universidades representa “um passo para fortalecer e expandir nossa cooperação universitária”.
Na parte final do discurso, o presidente relacionou conflitos internacionais ao enfraquecimento do multilateralismo. Lula citou a guerra no Irã como “o exemplo mais recente da incapacidade coletiva de dialogar” e afirmou que organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas, a Unesco e a Organização Mundial da Saúde, estão sendo “esvaziados”.
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