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Woven City: como funciona a cidade-laboratório da Toyota no Japão
Construída ao pé do Monte Fuji, a cidade inteligente da Toyota testa carros autônomos, robôs, inteligência artificial e novas formas de viver em ambientes urbanos conectados
A Toyota não está construindo apenas novos carros elétricos, híbridos ou autônomos. A montadora japonesa decidiu criar uma cidade inteira para testar como pessoas, veículos, robôs, casas inteligentes, inteligência artificial e serviços conectados podem funcionar juntos no cotidiano. Essa é a proposta da Woven City, cidade-laboratório inaugurada oficialmente em 25/09/2025, no Japão. O ToqueTec explica onde ela fica, por que foi construída e como esse projeto pode influenciar a tecnologia que chegará às casas e às ruas nos próximos anos.
A Woven City fica em Susono, na província de Shizuoka, ao pé do Monte Fuji, em uma área onde funcionava a antiga fábrica Higashi-Fuji da Toyota, desativada em 2020. O terreno tem 175 acres, o equivalente a cerca de 71 hectares. Portanto, o dado correto não é 175 hectares, mas 175 acres. A primeira fase foi construída em parte desse espaço e começou a receber moradores e participantes selecionados a partir de 2025.
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Por que a Toyota construiu uma cidade
A Woven City nasceu da estratégia da Toyota de deixar de ser apenas uma fabricante de automóveis e se posicionar como empresa de mobilidade. Isso significa testar não só carros, mas também sistemas de transporte, robôs, sensores, energia limpa, casas conectadas e serviços digitais.
A lógica é simples: muitas tecnologias parecem funcionar bem em laboratório, mas falham quando entram na vida real. Uma cidade controlada, com moradores, ruas, casas, entregas, crianças, trabalhadores e rotinas diárias, permite observar como essas soluções se comportam fora de uma simulação.
Por isso, a Toyota define a Woven City como um “test course for mobility”, ou pista de testes para mobilidade, mas em formato urbano. A ideia é reunir moradores, engenheiros, pesquisadores, empresas parceiras e inventores para criar, testar e ajustar produtos e serviços ligados ao movimento de pessoas, mercadorias, informações e energia.
Como a cidade foi planejada
O projeto urbano foi desenvolvido pelo escritório Bjarke Ingels Group, conhecido como BIG. A cidade foi pensada com ruas separadas por tipo de uso. Há vias para veículos mais rápidos, caminhos para micromobilidade e áreas exclusivas para pedestres. A proposta é organizar carros autônomos, scooters, bicicletas, robôs de entrega e pessoas sem colocar todos no mesmo fluxo.
O nome Woven City vem da ideia de “tecer” diferentes formas de mobilidade. As ruas se entrelaçam como fios: transporte rápido, deslocamento lento, caminhada, áreas verdes e espaços de convivência. É também uma referência à origem da Toyota, que nasceu ligada à fabricação de teares antes de se tornar uma gigante do automóvel.
Na prática, a cidade funciona como um bairro experimental. Casas, ruas, praças, sensores e sistemas digitais são usados para testar soluções que podem, no futuro, chegar a cidades comuns. Isso inclui veículos autônomos, robôs de apoio, inteligência artificial, infraestrutura conectada, monitoramento de energia, serviços domésticos e novas formas de entrega urbana.
Como seria viver na Woven City
Os moradores são chamados de “Weavers”, ou tecelões. Eles não vivem ali apenas como residentes comuns, mas como participantes de um experimento urbano. A rotina deles ajuda a avaliar tecnologias em situações reais: ir ao trabalho, circular pelo bairro, receber encomendas, usar serviços digitais, conviver com robôs e interagir com sistemas conectados.
Na fase inicial, a população é pequena. A Toyota informou que os primeiros moradores seriam principalmente funcionários da empresa, profissionais da Woven by Toyota e suas famílias. A Fase 1 foi projetada para cerca de 360 residentes, com plano de expansão gradual até aproximadamente 2 mil pessoas em fases futuras.
Isso mostra que a Woven City ainda não é uma cidade completa como Tóquio, Osaka ou São Paulo. Ela é um protótipo habitado. Há ruas, casas e operação real, mas em escala limitada. Parte da área ainda está em desenvolvimento, e o acesso do público geral deve ocorrer de forma controlada, com visitantes previstos como “One Day Weavers” a partir de 2026, ainda sem data final definida.
Que tecnologias estão sendo testadas
A Woven City reúne tecnologias de mobilidade, robótica, inteligência artificial, energia e bem-estar. Entre os exemplos estão veículos autônomos, robôs de transporte, sistemas de sensores, soluções para casas inteligentes, ferramentas educacionais, aplicativos urbanos e serviços conectados.
A Toyota e a Woven by Toyota também falam em três ambientes de teste: espaços de simulação digital, áreas controladas para validação e a zona residencial da Fase 1, onde os produtos podem ser observados em uma vida urbana real. Esse caminho permite testar uma ideia primeiro em ambiente seguro, depois em espaço controlado e, por fim, no cotidiano dos moradores.
O objetivo não é apenas criar uma vitrine futurista. A empresa quer identificar tecnologias que possam ser levadas depois para veículos, cidades, casas e serviços comerciais. Um robô de entrega, por exemplo, pode ser testado em ruas internas antes de ser usado em bairros reais. Um sistema de casa inteligente pode ser observado em famílias reais antes de virar produto.
O que esse projeto diz sobre o futuro das casas e cidades
A Woven City interessa porque antecipa discussões que já começam a aparecer fora do Japão. Como carros autônomos vão dividir espaço com pedestres? Quem controla os dados gerados por casas inteligentes? Até que ponto sensores urbanos melhoram a segurança sem criar vigilância excessiva? Como robôs podem ajudar idosos, crianças e profissionais sem substituir relações humanas?
Essas perguntas são importantes porque a cidade da Toyota funciona em uma comunidade restrita, planejada e monitorada. O grande desafio será entender o que pode ser aplicado em cidades comuns, com desigualdade, trânsito desorganizado, infraestrutura antiga, regras públicas complexas e milhões de moradores.
A Woven City não deve ser vista como um modelo pronto para copiar. Ela é um laboratório de vida urbana. Seu valor está em testar, errar, corrigir e mostrar quais tecnologias realmente ajudam no cotidiano. Se a Toyota conseguir transformar esses testes em soluções acessíveis, a cidade ao pé do Monte Fuji pode influenciar não só o futuro dos carros, mas também o modo como casas, ruas e serviços digitais serão conectados nos próximos anos.
Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec
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