Do Micro Ao Macro
Dólar está em queda, mas importações ainda têm custos que o câmbio não mostra
IOF, spread bancário e modelos de conversão são os fatores que definem o valor real pago por brasileiros em transações no exterior
O dólar comercial fechou abaixo de R$ 4,90 na primeira semana de maio de 2026, o menor nível desde janeiro de 2024. A queda reacendeu o interesse de brasileiros por importações, viagens ao exterior e assinaturas de serviços digitais estrangeiros.
Só que a relação entre câmbio e custo real de uma transação no exterior é menos direta do que parece.
Gastos no exterior ultrapassam R$ 100 bilhões
Os brasileiros já movimentam volumes expressivos em importações. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostram que os gastos no exterior somaram US$ 18 bilhões em 2025, alta de 14% sobre o ano anterior. Em reais, o volume chegou a R$ 100,7 bilhões.
O crescimento acompanha a expansão do comércio eletrônico transfronteiriço e o peso das assinaturas digitais na rotina dos consumidores.
Por isso, qualquer movimento de câmbio relevante leva esse público a reavaliar o momento de comprar, assinar serviços ou reservar viagens.
O que os consumidores aprenderam a observar
A atenção do consumidor brasileiro ao câmbio foi além da cotação do dólar. “O consumidor brasileiro já aprendeu a conviver com oscilações frequentes e passou a olhar o custo final da compra internacional. Hoje existe uma atenção maior sobre conversão, impostos e tarifas embutidas na operação, principalmente porque serviços globais se tornaram cada vez mais presentes na rotina do consumidor brasileiro”, afirma Gustavo Siuves, especialista em tecnologias financeiras e CRO da Azify.
Além da cotação, os modelos de conversão de moeda passaram a fazer parte desse cálculo. No cartão internacional tradicional, a conversão considera o dólar na data de fechamento da fatura, somado ao IOF e às tarifas da instituição financeira. O valor final pode ser diferente do preço que apareceu no momento da compra.
Câmbio automático e a transparência nas importações
Algumas plataformas de pagamento adotaram o modelo de câmbio automático para operações cross-border. Nesse formato, a conversão para reais ocorre no momento da transação, com a cotação informada ao consumidor antes da confirmação.
O mecanismo reduz a distância entre o preço percebido e o valor cobrado na fatura.
“Já existe tecnologia suficiente para tornar os pagamentos internacionais mais rápidos, transparentes e menos dependentes de múltiplos intermediários. O desafio agora está em ampliar o acesso a essas soluções, principalmente para pequenas e médias empresas, que historicamente operaram com custos mais altos e processos mais burocráticos no mercado internacional”, diz Siuves.
Dólar em queda não garante importações mais baratas
Mesmo com o dólar abaixo de R$ 4,90, o preço final de uma importação depende de outros componentes. Taxas de conversão, IOF, tarifas operacionais e o modelo utilizado pela instituição financeira seguem impactando o valor cobrado.
“Existe uma percepção muito imediata em torno da cotação do dólar, mas o custo de uma compra internacional envolve uma estrutura financeira mais ampla. O que mudou nos últimos anos foi a capacidade de visualizar esse custo completo no momento da transação, o que permite decisões mais conscientes e comparações mais precisas entre diferentes formas de pagamento”, afirma Siuves, também CFO da Azify.
A tendência é que mecanismos de conversão em tempo real avancem em setores como e-commerce, turismo e serviços digitais, acompanhando o volume de importações feitas por brasileiros.
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