Do Micro Ao Macro
54% dos brasileiros já compraram produtos indicados por inteligência artificial
Levantamento aponta que dois terços dos consumidores pesquisam produtos com IA e que o risco de golpes acompanha o avanço dessa prática no país.
Mais da metade dos brasileiros já realizou ao menos uma compra influenciada por indicações de inteligência artificial. Os dados são de um levantamento da Branddi, empresa de proteção de marcas no ambiente digital, feito com 500 consumidores de todos os estados do país em janeiro de 2026: 54% afirmam ter adquirido algum produto ou serviço a partir de recomendações feitas por ferramentas de inteligência artificial, sendo que 34% deles repetiram o comportamento mais de uma vez.
Outros 27% disseram nunca ter usado IA para esse fim, mas que fariam isso se tivessem oportunidade.
O hábito de pesquisar produtos também mudou. Os buscadores tradicionais, como o Google, ainda lideram como fonte de consulta antes da compra, com 72% dos entrevistados. Mas o uso de inteligência artificial já aparece em segundo lugar, com 66% dos consumidores dizendo recorrer a essas ferramentas para pesquisar produtos e serviços. Entre eles, 38% usam com frequência e 28% fazem isso em todas as pesquisas.
Por isso, o papel que antes cabia aos sites de avaliações e influenciadores digitais agora começa a ser dividido com assistentes baseados em IA.
Para que serve a inteligência artificial na jornada de compra
Entre os usos mais comuns estão tirar dúvidas sobre características dos produtos (62%), buscar recomendações personalizadas (54%) e comparar preços e funcionalidades entre marcas (48%).
Para Diego Daminelli, CEO da Branddi, o avanço é natural: “Hoje, muitos consumidores já enxergam as inteligências artificiais como uma espécie de assistente de compras. Elas ajudam a economizar tempo, comparar opções e reunir informações de maneira mais rápida, o que torna natural que passem a influenciar decisões de consumo.”
Daminelli, no entanto, aponta um limite nessa relação: “Muitas pessoas utilizam as ferramentas acreditando que todas as recomendações são totalmente neutras ou precisas, quando, na prática, existem limitações, vieses e até riscos envolvendo informações incorretas.”
Golpes e desconfiança crescem junto com o uso
A confiança dos consumidores nas recomendações de inteligência artificial ainda é instável. Entre as principais inseguranças apontadas na pesquisa estão o risco de receber informações erradas (45%), o uso indevido de dados pessoais (36%), indicações tendenciosas ou publicidade disfarçada (30%) e a possibilidade de fraudes (28%).
Além disso, 45% dos entrevistados admitiram já ter tido dificuldade para identificar se uma sugestão feita pela IA era imparcial ou patrocinada. Apenas 29% disseram nunca ter enfrentado esse problema.
“As inteligências artificiais ainda estão em um processo acelerado de evolução, e os consumidores precisam manter um olhar crítico sobre as recomendações recebidas. Nem toda indicação representa, necessariamente, a melhor opção disponível ou uma fonte confiável”, alerta Daminelli.
Segundo o executivo, o risco aumenta em situações específicas: “O cuidado deve ser ainda maior em casos que envolvam promoções muito vantajosas, links externos ou pedidos de dados pessoais. Golpistas acompanham tendências digitais e rapidamente adaptam suas estratégias aos novos hábitos dos consumidores.”
Transparência é o próximo passo
Para Daminelli, os próximos anos devem aprofundar a presença da inteligência artificial nas decisões de compra, o que torna urgente estabelecer padrões claros de funcionamento: “Transparência sobre publicidade, responsabilidade no tratamento de dados e mecanismos de verificação serão determinantes para fortalecer a confiança dos consumidores nesse novo cenário digital.”
Metodologia: 500 brasileiros entrevistados, de todos os estados, com 18 anos ou mais e de todas as classes sociais. Coleta via plataforma online em 12 de janeiro de 2026. Índice de confiabilidade de 95% e margem de erro de 3,3 pontos percentuais.
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