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BNDES tem lucro recorde e amplia desembolsos

Lucro recorrente de R$ 3,1 bilhões, inadimplência de 0,046% e carteira de crédito no maior patamar em uma década indicam crescimento saudável

Apoio: BNDES

Para entender o rumo que está tomando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não basta se fixar no lucro líquido recorrente de 3,1 bilhões de reais registrado no primeiro trimestre de 2026. É preciso atentar também para o patrimônio líquido recorde para uma carteira de crédito no maior patamar desde 2016 e, principalmente, para o crescimento dos desembolsos aos quatro grandes setores econômicos: indústria, infraestrutura, agropecuária e comércio e serviços. Apresentados no dia 12 de maio, no escritório de São Paulo, os resultados reforçam a retomada do papel da instituição como apoiadora do desenvolvimento do Brasil.

O lucro recorrente do trimestre representa uma alta de 17% sobre o mesmo período de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice chegou a 15,6 bilhões de reais, o maior da história do banco.

O patrimônio líquido alcançou 192 bilhões de reais, expansão de 47% desde 2022, quando a instituição marcava 131 bilhões. Para o diretor-financeiro, Alexandre Abreu, o dado vai além da fotografia contábil. “O aumento do PL é essencial para indicar que o banco está crescendo de forma saudável”, afirmou. Os ativos totais chegaram a 995 bilhões de reais, 45% acima do registrado em 2022. A carteira de crédito acumulou 678 bilhões de reais, 84 bilhões a mais que o registrado entre janeiro e março de 2025, no maior patamar em uma década.

O percentual de dívidas não pagas por mais de 90 dias ficou em 0,046%, ligeiramente abaixo de 0,06% do mesmo período do ano anterior. A diferença para a média do Sistema Financeiro Nacional, que fechou março em 4,33%, é expressiva e evidencia a sustentabilidade do crescimento. Para Abreu, a consequência é elevar a capacidade de crescimento. “Isso permite que o BNDES continue aumentando sua carteira de forma saudável.”

Os dados por setor mostram uma expansão generalizada. No primeiro trimestre, o banco desembolsou 8 bilhões de reais para a indústria, 13,4 bilhões para a infraestrutura, 9,1 bilhões para a agropecuária, 5,7 bilhões para o comércio e serviços e as variações em relação ao mesmo período de 2025 foram de 67%, 51%, 40% e 15%, respectivamente. “É um crescimento de crédito na economia muito diversificado para todos os setores”, informa Abreu.

O lucro recorrente de R$ 15,6 bilhões nos últimos 12 meses é o maior da história do banco de fomento

O avanço de 67% na indústria ocorre num momento em que o banco fortalece o apoio à cadeia de veículos de baixo carbono. “Nós estamos financiando Pesquisa e Desenvolvimento da Volkswagen, da Stellantis e da Toyota, e várias dessas empresas vão entregar carros híbridos financiados pelo BNDES”, declarou o presidente do banco, Aloizio Mercadante. Ele destacou ainda o apoio do banco à produção de etanol do milho, o que gera um subproduto (o DDG) altamente nutritivo empregado como ração para o gado, que pode ser criado confinado, liberando mais espaço para a produção de alimentos.

A infraestrutura concentra o maior volume de desembolso no trimestre. O mecanismo de project finance non recourse permite que a garantia do crédito recaia sobre o próprio projeto. Em uma rodovia, por exemplo, é o pedágio que sustenta a operação. O modelo foi aplicado na concessão da Dutra, com 10,75 bilhões de reais, e na Rio-Minas, com 7,3 bilhões. Há mais 30 leilões rodoviários em andamento e as ferrovias avançam com intensidade crescente.

Para atrair capital privado nessa escala, o banco desenvolveu as debêntures faseadas, instrumento que permite ao projeto acompanhar eventuais quedas na taxa básica de juros ao longo do tempo. O Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, cuja área útil será dobrada com 20 novas pontes de embarque, é um dos exemplos mais recentes, juntamente com outros dez aeroportos. Para os próximos quatro anos, o volume projetado de investimentos em infraestrutura no Brasil chega a 1 trilhão de reais, com o BNDES respondendo por um terço do financiamento. Segundo Mercadante, não há subsídio específico nessa equação. “Tem inteligência profissional”, disse ele na entrevista coletiva.

Durante a apresentação, Mercadante destacou que o banco vai destinar 10 bilhões de reais à reestruturação do sistema prisional, programa desenhado pelo Supremo Tribunal Federal. Os estados têm prazo para cumprir as obrigações determinadas pelo STF, mas os orçamentos não cobrem a demanda. Para o dirigente, o escopo vai além dos presídios: câmeras de vigilância, sistemas de reconhecimento facial e centros de comando e controle compõem o que ele define como cidade inteligente.

Em um balanço mais amplo da gestão, o presidente destacou a captação de 4 bilhões de dólares na COP-30, realizada em Belém no fim de 2025. Em viagem recente à Alemanha, novos convênios foram assinados, com anúncios adicionais previstos para breve. “O interesse (externo) no Brasil é extraordinário. Há muito tempo não se vê tanto interesse do mercado, e eu estou falando dos grandes fundos”, revelou Mercadante.

Na feira Hannover Messe, maior evento industrial do mundo, o banco apresentou um biodiesel com redução de 92% na emissão de fumaça preta e de 63% na de CO2 em relação ao diesel convencional, ao mesmo custo. O maior caminhão da Volkswagen, que só é produzido no Brasil, e o maior da Mercedes-Benz, também produzido no Brasil, rodaram 8 mil quilômetros na Alemanha para demonstrar os resultados. De acordo com o dirigente, a Europa, que resistia ao reconhecimento do biodiesel como combustível para aviação e navegação, reviu a posição diante das evidências. A empresa WEG, por sua vez, apresentou na mesma feira uma bateria para veículos elétricos fabricada no Brasil, fechando um circuito que vai dos minerais críticos ao produto final.

No campo ambiental, destacou-se que o desmatamento na Amazônia recuou 50%. O banco financia o plantio de mais de 280 milhões de árvores nativas com 7 bilhões de reais alocados no programa Floresta Viva, presente em todos os biomas.

Com mais de 1 bilhão de reais desembolsados por dia ao longo de 2025, inadimplência próxima de zero e patrimônio em nível histórico, o BNDES passou pelo primeiro trimestre de 2026 com indicadores que poucos bancos públicos conseguem apresentar com simultaneidade. •

Publicado na edição n° 1414 de CartaCapital, em 27 de maio de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘BNDES tem lucro recorde e amplia desembolsos’

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