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Terras raras: Lula diz esperar que Trump ‘pare de brigar’ com Xi e se associe ao Brasil

O petista afastou veto ou preferência, mas defendeu soberania: ‘Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas, e a gente quer explorar aqui dentro’

Terras raras: Lula diz esperar que Trump ‘pare de brigar’ com Xi e se associe ao Brasil
Terras raras: Lula diz esperar que Trump ‘pare de brigar’ com Xi e se associe ao Brasil
18.05.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita às quatro novas linhas de luz do CNPEM, na Rua Giuseppe Máximo Scolfaro, nº 10.000, Polo II de Alta Tecnologia de Campinas, Campinas - SP. Foto: Ricardo Stuckert / PR
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O presidente Lula (PT) afirmou nesta segunda-feira 18 que o Brasil não deve vetar ou dar preferência a países nas discussões sobre a exploração de terras raras, mas condicionou eventuais parcerias ao respeito à soberania nacional.

Em um evento em Campinas (SP), o petista afirmou esperar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “deixe de brigar” com o presidente da China, Xi Jinping, e “venha se associar a nós”.

“Estamos nos tempos das terras raras. A gente vai ter que contar com a inteligência e a ciência para a gente dar um salto de qualidade e ver se, num curto espaço de tempo, a gente faz o Trump parar de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós, para que a gente possa explorar aqui”, afirmou Lula.

A declaração ocorreu durante a entrega de quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais.

Segundo o Palácio do Planalto, as novas linhas ampliarão a capacidade brasileira de pesquisa em áreas estratégicas como saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais.

O presidente disse também esperar que os investimentos em ciência ajudem o Brasil a mapear as riquezas de seu território, já que fazer um estudo “só cavando buraco” demoraria muito.

“Não temos veto a ninguém, não temos preferência por ninguém. Aqui pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano. Pode vir quem quiser, desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas, e a gente quer explorar aqui dentro.

As chamadas terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de uma série de produtos modernos. Apesar do nome, elas não são exatamente raras: estão espalhadas pelo mundo, mas geralmente em baixas concentrações, o que torna a extração economicamente desafiadora.

Fazem parte de um grupo mais amplo conhecido como minerais críticos, entre os quais estão o lítio, o cobalto, o níquel e o grafite, fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores.

Atualmente, cerca de 70% da produção global de terras raras se concentra na China, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos. A principal mina do mundo é Bayan Obo, no norte do país.

Atualmente, o Brasil tem a maior reserva de nióbio do mundo, é o segundo em reservas de grafita, o segundo em terras raras, com 21 milhões de toneladas, e o terceiro em reservas de níquel.

No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que cria uma política nacional de minerais críticos e estratégicos. O texto limita a exportação de minerais brutos sem processamento e cria um sistema de incentivos fiscais progressivos. Além disso, prevê créditos fiscais de até 20% dos valores pagos pelos projetos contemplados, com limite anual de 1 bilhão de reais entre 2030 e 2034, e cria um fundo garantidor da atividade mineral, com capacidade de até 5 bilhões de reais.

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