Do Micro Ao Macro

O que fazer com funcionários durante os jogos do Brasil na Copa

Com jogos em horário comercial, maior competição de futebol do ano redefine estratégias de RH nas empresas e pode virar aliada do engajamento

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A Copa do Mundo chega este ano com o mesmo dilema das outras: jogos em horário comercial. Para empresas brasileiras, a questão deixou de ser se os funcionários vão parar para assistir aos jogos do Brasil e passou a ser o que fazer quando isso acontecer.

Na primeira fase, o Brasil não joga em horário comercial, mas joga em dias de semana, o que pode atrapalhar outros turnos. No entanto, a janela de horários da Copa começa às 13h. Veja os jogos do Brasil.

  • 13 de junho (sexta), 19h: Brasil x Marrocos, MetLife Stadium, Nova Jersey
  • 19 de junho (quinta), 21h30: Brasil x Haiti, Lincoln Financial Field, Filadélfia
  • 24 de junho (quarta), 19h: Brasil x Escócia, Hard Rock Stadium, Miami

A resposta que vem ganhando terreno nos departamentos de RH é diferente do que se viu em edições anteriores. Em vez de tratar o torneio como um risco à produtividade, organizações de diferentes setores começam a enxergar os jogos como uma janela para fortalecer cultura e engajamento interno.

O custo de ignorar esse movimento pode ser alto. O relatório State of the Global Workplace, da Gallup, estima que o desengajamento de funcionários custa cerca de US$ 10 trilhões por ano à economia global. Grandes eventos culturais, nesse contexto, passam a ser vistos como ferramentas para reconectar equipes.

Pausas coletivas no lugar de liberações individuais

Uma das práticas que mais avança nas empresas é a chamada pausa coletiva. Em vez de liberar cada funcionário por conta própria, as organizações organizam momentos oficiais para que as equipes assistam aos jogos juntas, com transmissão no próprio ambiente de trabalho.

A lógica é simples: o que aconteceria de forma dispersa e improvisada passa a ter estrutura. “Isso fortalece o senso de pertencimento e cria oportunidades de interação entre áreas e níveis hierárquicos diferentes”, afirma o especialista em gestão de pessoas ouvido pela reportagem.

Para setores que não conseguem interromper as operações, como varejo, indústria e saúde, a alternativa tem sido montar escalas de revezamento e disponibilizar espaços de transmissão. O objetivo é garantir que todos participem, sem comprometer o funcionamento do negócio.

Copa e iniciativas culturais

Além das transmissões, o período do torneio tem servido como ponto de partida para ações mais amplas de cultura organizacional. Semanas gastronômicas temáticas, campanhas internas de diversidade e iniciativas ligadas à identidade dos times são exemplos de como empresas estão aproveitando o contexto.

“Essas iniciativas humanizam o ambiente de trabalho e valorizam a diversidade das equipes, conectando um evento global à realidade dos funcionários”, diz o especialista.

Por isso, o torneio deixa de ser apenas uma data no calendário e passa a funcionar como um catalisador para práticas que o RH já vinha tentando implementar.

O bolão virou ferramenta de gestão

O bolão corporativo, presença tradicional em anos de Copa, ganhou uma nova camada. Adaptado para plataformas digitais, o formato hoje permite rankings em tempo real, atualização automática de resultados e premiações definidas pela própria empresa.

“Quando estruturado oficialmente, o bolão deixa de ser apenas uma brincadeira e se torna uma ferramenta de integração entre equipes”, afirma o especialista. A digitalização do processo também alivia o time de RH, que não precisa gerenciar planilhas ou apurações manuais.

Uma plataforma de gestão de pessoas ouvida pela reportagem desenvolveu uma funcionalidade específica para o período, integrada ao aplicativo mobile usado pelos funcionários, com palpites jogo a jogo e ranking competitivo entre times.

O que o RH ganha com a Copa

Além do engajamento pontual, o que especialistas apontam é uma oportunidade de alinhamento entre o que acontece dentro e fora da empresa. Enquanto o assunto domina conversas nas ruas, nas redes e nas famílias, as organizações que ignoram o torneio criam um ruído desnecessário entre o ambiente de trabalho e a vida real dos funcionários.

“Quando bem planejado, o evento global deixa de ser uma distração e se torna uma ferramenta de engajamento”, conclui o especialista. Para os departamentos de RH, a Copa não pede uma política de exceção. Pede uma decisão sobre que tipo de cultura a empresa quer construir durante os jogos do Brasil.

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