Do Micro Ao Macro
Turismo esportivo cresce no Brasil e 4 em cada 10 brasileiros planejam viajar para praticar esporte
Pesquisa da Maximum Boxing ouviu 500 adultos e revela quais esportes mais motivam viagens, os destinos preferidos e o peso do fator financeiro na decisão
Quatro em cada dez brasileiros pretendem viajar para praticar algum esporte até o fim de 2025, segundo levantamento da Maximum Boxing com 500 adultos de todas as regiões do país. O dado reforça o avanço do turismo esportivo como motivador de deslocamento, movimento que também aparece em dados do Ministério do Turismo: 14% dos brasileiros apontam o esporte entre as experiências de maior interesse para as próximas viagens.
O perfil desse viajante vai além do espectador. Entre os entrevistados, 54,8% querem viajar para assistir a eventos e campeonatos ao vivo. Outros 30,6% buscam destinos que facilitem hobbies como surf, trilhas e ciclismo, e 16% planejam competir em maratonas, torneios ou campeonatos.
Futebol lidera, lutas surpreendem
O futebol segue como o principal esporte que motiva viagens entre os brasileiros, impulsionado pelo calendário internacional e pela proximidade da Copa do Mundo. O interesse, porém, não para na arquibancada.
Os esportes de luta aparecem na segunda posição, com destaque para boxe, MMA e muay thai. Entre os praticantes e entusiastas dessas modalidades, 58,6% querem assistir a grandes torneios, 36,8% buscam destinos reconhecidos mundialmente, como a Tailândia no caso do muay thai, e 23,4% querem estar mais próximos de atletas de referência.
Na sequência aparecem vôlei (21,4%), corridas e maratonas (20,4%) e esportes de natureza como surf, trilhas e escalada (16%).
William Ferraz, coordenador da Maximum Boxing, interpreta o dado das lutas como sinal de uma mudança de comportamento. “Quando a gente olha para as lutas, fica claro que o interesse vai além do entretenimento. Existe uma busca por experiências que envolvam emoção, disciplina e até transformação pessoal. Isso dialoga diretamente com sentimentos como realização, inspiração e bem-estar”, afirma.
O que os viajantes buscam sentir
O turismo esportivo não se explica apenas pelo esporte em si. Para 59,8% dos entrevistados, a principal associação com esse tipo de viagem é entretenimento e diversão. Em seguida aparecem adrenalina e emoção (48,2%), conexão com amigos ou torcida (29,6%) e realização pessoal ligada à superação de metas (28,4%).
Inspiração pela proximidade com ídolos (25,2%) e alívio de estresse com benefícios para a saúde mental (23,6%) completam o conjunto de motivações. O dado sugere que o esporte funciona, nesse contexto, como experiência de engajamento emocional tanto quanto de lazer.
Rio, São Paulo e Santa Catarina lideram no Brasil
No recorte nacional do turismo esportivo, Rio de Janeiro e São Paulo aparecem na liderança, seguidos por Santa Catarina, Minas Gerais e Bahia. Os três primeiros estados têm calendários que explicam a preferência.
O Rio concentra o Rio Open, a Maratona do Rio e jogos decisivos do futebol nacional no Maracanã. São Paulo distribui eventos ao longo do ano, com a SP City Marathon, campeonatos de jiu-jitsu e agenda constante nos três grandes estádios da cidade. Santa Catarina se destaca em corridas de endurance, como a Maratona Internacional de Floripa e o Revezamento Volta à Ilha, e no triathlon, reforçando o perfil de esportes ao ar livre.
Destinos internacionais e o peso do preço
No exterior, Estados Unidos, Espanha e França lideram o interesse dos brasileiros por turismo esportivo. A lista inclui ainda Argentina, Inglaterra, Itália e Japão.
Nos Estados Unidos, o atrativo são as grandes ligas e eventos como Super Bowl e finais da NBA. Na Espanha, o futebol domina, com La Liga e a Champions League como principais referências. A França reúne Roland-Garros, Tour de France e Ligue 1. Já o Japão fecha o ranking com uma agenda que mistura sumô, J1 League e esportes de inverno nas regiões norte do país.
Para 32,2% dos entrevistados, o preço da viagem é o fator mais determinante na hora de escolher um evento esportivo para assistir ao vivo. Localização do destino (17,2%), preço dos ingressos (14,4%) e relevância do evento (13,6%) completam os principais critérios de decisão.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.



