Do Micro Ao Macro
Agentes de IA substituem chatbots no varejo; veja o que muda no atendimento ao cliente
Pesquisa da Deloitte aponta que 68% dos executivos do varejo vão implementar agentes de IA em dois anos, acelerando a troca dos chatbots em funções de atendimento.
Seis em cada dez executivos do varejo no mundo planejam implementar agentes de IA em funções de atendimento até 2027. O dado é da pesquisa “2026 Retail Industry Global Outlook“, da Deloitte, e indica que a corrida pela substituição dos chatbots tradicionais deixou de ser tendência para se tornar movimento concreto no setor.
No Brasil, o varejo digital enfrenta um problema que os chatbots não conseguem mais resolver: o consumidor não segue fluxos lineares. A jornada de compra mistura canais, muda de intenção no meio do caminho e exige respostas que vão além de um script pré-programado. É nesse ponto que os agentes de IA ganham espaço.
Agentes de IA x chatbots: o que muda na prática
Chatbots foram construídos para responder perguntas dentro de um roteiro previsível. Funcionam bem em tarefas simples, como consultas de horário de funcionamento ou status de pedido com fluxo fixo. O problema aparece quando o cliente sai do script.
Os agentes de IA operam de forma diferente. Eles compreendem contexto, acessam dados em tempo real e executam ações dentro de sistemas como CRM, ERP e plataformas de e-commerce. Na prática, isso significa consultar estoque atualizado, acompanhar pedidos, gerar recomendações personalizadas e recuperar carrinhos abandonados, tudo dentro de uma mesma conversa.
Felipe Hilgenberg, head de IA na Connectly, resume a diferença com precisão. “Os chatbots foram desenhados para fluxos previsíveis, mas o consumidor é dinâmico e contextual. Os agentes de IA conseguem entender a intenção, adaptar a conversa e conduzir o cliente até a conversão”, afirma.
Por que o varejo brasileiro precisa agir agora
A pesquisa da Deloitte vai além da adoção. O estudo projeta que os agentes de IA podem responder por até 25% das vendas eletrônicas globais até 2030. Para o varejo brasileiro, que ainda convive com altas taxas de abandono de carrinho e atendimento fragmentado entre canais, o atraso na migração tem custo direto em receita.
Manter chatbots em funções que exigem interpretação de contexto gera falhas de atendimento, aumento de custos operacionais e perda de vendas que dificilmente aparecem nos relatórios. O problema é silencioso, mas consistente.
O desafio está na consolidação, não no lançamento
Implementar um agente de IA é mais rápido do que parece. O verdadeiro obstáculo vem depois. “Construir um agente de IA pode ser feito em dias, mas fazê-lo funcionar de forma consistente em produção é o verdadeiro desafio. A diferença entre lançar e consolidar está na capacidade de evoluir continuamente, com testes, monitoramento e ajustes constantes”, diz Hilgenberg.
Sem estrutura de testes de regressão, monitoramento de interações e ciclos de ajuste, os agentes de IA entregam resultados abaixo do potencial, e o varejo volta a conviver com os mesmos problemas que tentava resolver ao abandonar os chatbots.
O espaço que ainda resta para os chatbots
A substituição não é total. Chatbots seguem sendo uma alternativa viável para tarefas repetitivas, de baixa complexidade e sem necessidade de integração com outros sistemas. O erro está em mantê-los em posições que exigem interpretação, personalização ou condução de jornadas de compra.
Para o varejo brasileiro, a definição mais importante agora é saber onde cada tecnologia termina, e onde os agentes de IA precisam entrar. Quem ainda não mapeou essa fronteira corre o risco de perder conversão para concorrentes que já colocaram agentes de IA para trabalhar.
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