Política

Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro R$ 134 milhões para bancar filme sobre Jair, diz ‘Intercept’

Segundo o site, ao menos 61 milhões de reais foram pagos entre fevereiro e maio de 2025

Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro R$ 134 milhões para bancar filme sobre Jair, diz ‘Intercept’
Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro R$ 134 milhões para bancar filme sobre Jair, diz ‘Intercept’
Flávio Bolsonaro – Imagem: Geraldo Magela/Agência Senado
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Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou diretamente com Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, um financiamento de 24 milhões de dólares (cerca de 134 milhões de reais à época) para a produção de um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro (PL), revelou nesta quarta-feira 13 uma reportagem do site The Intercept Brasil.

De acordo com a publicação, ao menos 10,6 milhões de dólares (aproximadamente 61 milhões de reais) teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. Não há evidências, segundo o site, de que todo o dinheiro acertado foi repassado. Os recursos teriam sido destinados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos.

A reportagem afirma que as negociações envolveram Eduardo Bolsonaro, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e intermediários como os empresários Thiago Miranda e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro.

Em 28 de janeiro de 2025, de acordo com a reportagem, Vorcaro declarou a Zettel que o projeto cinematográfico de Bolsonaro era prioridade absoluta e emitiu uma ordem sobre os repasses: “Não pode falhar mais”. Uma semana depois, em 5 de fevereiro, Zettel disse ao banqueiro que “estava tentando desde ontem” e que o “câmbio do Master [estava] criando caso”. Vorcaro questionou a quem deveria fazer o repasse e orientou: “Vamos fazer via entre [seria a empresa Entre Investimentos e Participações]”.

Vorcaro decretou o envio do dinheiro: “Manda a grana“.

Entre os registros obtidos pelo Intercept está uma mensagem enviada pelo senador a Vorcaro em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro na investigação sobre as fraudes bilionárias do Master. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio.

Em um áudio divulgado pelo Intercept que seria de 8 de setembro de 2025, Flávio disse a Vorcaro que havia preocupação com atrasos nos pagamentos da produção. “Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”

Em nota, o senador confirmou ter solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro que financiasse o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas negou irregularidades.

“O que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, diz o texto.

Questionado presencialmente pelo Intercept nesta quarta-feira 13, sobre o financiamento de Vorcaro ao filme, o pré-candidato à Presidência respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”. Em seguida, riu e deixou o local onde concedia entrevista, nas proximidades do Supremo Tribunal Federal.

O senador já havia negado vínculos entre sua família, a extrema-direita e o Master. Ao comentar anteriormente uma doação de 3 milhões de reais feita pelo cunhado de Vorcaro à campanha presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio disse à CNN Brasil que a contribuição ocorreu “sem nenhuma vinculação, sem nenhuma contrapartida, sem nenhum contato pessoal, inclusive”. Também afirmou: “Essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”.

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