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Dois passageiros de navio afetado por hantavírus testam positivo

A operação de resgate dos ocupantes da embarcação deve terminar nesta segunda-feira

Dois passageiros de navio afetado por hantavírus testam positivo
Dois passageiros de navio afetado por hantavírus testam positivo
Participantes da operação de resgate de ocupantes de navio de cruzeiro usam trajes especiais para evitar a contaminação por hantavírus – foto: Antonio Sempere/AFP
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Dois passageiros retirados do cruzeiro Hondius testaram positivo para hantavírus, anunciaram as autoridades nesta segunda-feira 11, dia que deve marcar o fim da operação de retirada e o reabastecimento do navio na ilha espanhola de Tenerife, antes de seguir a viagem em direção aos Países Baixos.

Dois dos 94 ocupantes do navio que desembarcaram no domingo e foram repatriados a seus países, um americano e uma francesa, testaram positivo para hantavírus, um vírus pouco frequente que normalmente se propaga entre roedores e para o qual não existe vacina.

Um passageiro americano “testou levemente positivo no exame PCR”, anunciou o Departamento de Saúde dos Estados Unidos.

Dos cinco franceses repatriados e colocados em isolamento em Paris, uma mulher apresentou um agravamento do seu estado de saúde e os “testes apresentaram resultado positivo”, anunciou a ministra da Saúde, Stéphanie Rist.

Após o anúncio dos casos positivos, o Ministério da Saúde da Espanha afirmou que adotou “todas as medidas” necessárias para “cortar as possíveis cadeias de transmissão” do hantavírus.

Três passageiros a bordo do Hondius – um casal holandês e uma mulher alemã – morreram devido ao hantavírus.

Reabastecimento e últimas saídas

No domingo, 94 dos cerca de 150 passageiros e tripulantes do Hondius foram repatriados a partir do porto de Granadilla em Tenerife, nas Ilhas Canárias.

Nesta segunda-feira está previsto o reabastecimento do navio e a repatriação dos últimos ocupantes em dois voos, um para a Austrália e outro para os Países Baixos.

“Ao longo da manhã (…) o reabastecimento poderá começar, o que vai durar entre quatro e cinco horas. Em seguida, será carregado com suprimentos”, explicou à televisão pública TVE Virginia Barcones, secretária-geral de Proteção Civil.

O objetivo é que “quando realizarmos os dois últimos desembarques (…) possamos já autorizar a saída deste navio com destino aos Países Baixos” por volta das 19h (15h de Brasília), acrescentou Barcones.

“Tomara que possamos terminar até mesmo antes do horário previsto”, afirmou o ministro de Política Territorial, Ángel Víctor Torres, à rádio RNE, que elogiou o dispositivo de repatriação da Espanha.

As repatriações acontecem de avião a partir do aeroporto de Tenerife Sul e por nacionalidades, 23 ao todo, com rigorosas medidas de segurança para reduzir ao mínimo o contato dos ocupantes do Hondius com outras pessoas.

No domingo, partiram voos para Madri – para transportar os espanhóis que iniciaram a quarentena em um hospital militar –, França, Países Baixos – que levou um passageiro argentino e um tripulante guatemalteco, os dois latino-americanos do navio –, Canadá, Irlanda, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.

As 19h locais (15h de Brasília) é o horário limite estabelecido para que o Hondius deixe o porto de Granadilla de Abona com destino aos Países Baixos, levando cerca de 30 tripulantes.

O argentino repatriado Carlo Ferello minimizou a gravidade da situação vivida a bordo. O ambiente não era “preocupante, na verdade”, afirmou ao canal TN, ao destacar que, após os primeiros contágios, “não apareceram mais casos”.

“Eu estava sozinho (…), não tinha muito contato. A vida seguiu de maneira bastante normal”, acrescentou esse engenheiro aposentado, que cumprirá quarentena nos Países Baixos.

Risco ‘baixo’

O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, presente em Tenerife, destacou a cooperação entre os países e reiterou que “o risco atual para a saúde pública continua sendo baixo”.

Segundo as autoridades sanitárias, os passageiros permanecem majoritariamente assintomáticos, embora tenham sido classificados como “contatos de alto risco” e devam cumprir quarentena ao chegarem ao destino.

Com exceção dos americanos, que não serão necessariamente colocados em quarentena, uma decisão que envolve riscos, avaliou o diretor-geral da OMS.

“Isso não é covid”, justificou Jay Bhattacharya, diretor interino dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, pedindo à população que mantenha a calma.

O Hondius, que havia partido em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, permanece ancorado sem atracar, a pedido das autoridades regionais das Ilhas Canárias, que manifestaram rejeição à operação por motivos de segurança sanitária.

No entanto, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, defendeu a operação, destacando que a Espanha “responderá com exemplaridade e eficácia” em uma crise que volta a colocar o país sob atenção internacional.

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