Do Micro Ao Macro

46% da geração Z celebra o Dia das Mães, mas 38% questionam o sentido das datas comemorativas

Pesquisa do InstitutoZ mostra como jovens ressignificam vínculos afetivos, rejeitam a obrigação de gastar e reescrevem o calendário emocional

46% da geração Z celebra o Dia das Mães, mas 38% questionam o sentido das datas comemorativas
46% da geração Z celebra o Dia das Mães, mas 38% questionam o sentido das datas comemorativas
46% da geração Z celebra o Dia das Mães, mas 38% questionam o sentido das datas comemorativas 46% da geração Z celebra o Dia das Mães, mas 38% questionam o sentido das datas comemorativas
Apoie Siga-nos no

A geração Z não abandonou o Dia das Mães. Mas também não o celebra sem questionamento. Dados de uma pesquisa inédita mostram que 46% dos jovens dessa geração marcam a data, enquanto 38% dizem questionar o sentido de datas comemorativas em geral.

Os números vêm do estudo “Script do Amor”, do InstitutoZ, núcleo de pesquisa da Trope-se, consultoria especializada em novas gerações. O levantamento ouviu mais de mil pessoas em todo o Brasil e aprofunda a relação da geração Z com afeto, vínculos e ocasiões simbólicas.

A mãe segue como a figura mais presente no imaginário afetivo dessa geração, mesmo entre os respondentes que relatam histórias pessoais difíceis. Ainda assim, a adesão à data não é linear: 33% afirmam se incomodar com datas comemorativas e apenas 23% dizem gostar delas.

O incômodo não é com a mãe, é com a obrigação

Entre os principais pontos de atrito, a pesquisa identificou a sensação de obrigação de gastar, citada por 10%, e a necessidade de conviver com pessoas com quem não há afinidade, apontada por 8%.

O padrão indica que a geração Z não rejeita as datas, mas passa a questionar seus significados. Há uma percepção disseminada de que muitas dessas ocasiões foram construídas para movimentar consumo, e não para fortalecer conexões.

“Essa geração cresceu aprendendo a ajustar vínculos à medida que eles deixam de fazer sentido. O vínculo não depende da lógica de troca, o que indica que alguns afetos seguem operando fora das regras que organizam o restante das relações”, afirma Luiz Menezes, CEO da Trope-se.

Geração Z reescreve o calendário afetivo

Para a geração Z, vínculos saudáveis se sustentam em respeito aos limites, apontado por 44% dos respondentes, e em apoio emocional, citado por 25%. Datas simbólicas não são descartadas, mas reapropriadas a partir das conexões reais.

“Acho que deveria ter um Dia da Família, nem todos têm mãe ou pai. Família é quem cria e acolhe”, afirma um dos respondentes da pesquisa.

A fala resume bem o movimento da geração: menos apego às estruturas esperadas, mais atenção ao que sustenta o vínculo no dia a dia. O calendário emocional passa a ser escrito a partir das relações que fazem sentido, não das que a tradição impõe.

Para empresas ligadas ao varejo e à sazonalidade, o alerta é concreto. Criar momentos que ressoem com esse público exige abandonar a lógica da obrigatoriedade e apostar em narrativas que reconheçam diferentes configurações familiares.

“No campo das marcas, esse comportamento reforça a importância de valorizar as diferentes configurações familiares, com o desafio de personalizar cada vez mais a mensagem, quebrando o padrão da generalização”, diz Menezes.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo