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Compliance Zero/ No bolso de Vorcaro

PF realiza buscas e aponta mesada de 500 mil reais para Ciro Nogueira

Compliance Zero/ No bolso de Vorcaro
Compliance Zero/ No bolso de Vorcaro
O senador apresentou uma emenda para favorecer o Banco Master – Imagem: Lula Marques/Agência Brasil
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A Polícia Federal cumpriu, na quinta-feira 7, mandados de busca e apreensão em endereços do senador Ciro Nogueira, presidente do PP, em uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga as falcatruas do Banco Master. De acordo com os levantamentos, o parlamentar recebia 500 mil reais por mês de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, em pagamentos executados por Felipe Vorcaro, primo do banqueiro.

Além disso, a PF encontrou indícios de que Vorcaro encomendou a assessores do banco a redação de uma emenda para alterar a PEC 65/2023, posteriormente apresentada por Nogueira ao Senado. O texto previa a ampliação da cobertura individual do Fundo Garantidor de Crédito dos atuais 250 mil para 1 milhão de reais. A medida visava estimular investidores a adquirir Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Master, que ofereciam remuneração muito superior à média do mercado, mas a proposta não foi aprovada.

Para os investigadores, Nogueira atuou para favorecer o Master em troca dos pagamentos mensais, o que pode caracterizar o crime de corrupção passiva. “A representação descreve, de modo específico, que o senador apresentou a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023 com conteúdo produzido no âmbito do Banco Master, encaminhado por preposto de VORCARO, impresso e entregue em envelope endereçado a ‘Ciro’ em seu endereço residencial, tendo o texto parlamentar reproduzido, ‘de forma integral’, a versão previamente preparada pela assessoria do banco”, revela o despacho do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, que autorizou as buscas.

As defesas de Ciro Nogueira e de Felipe Martins ainda não haviam se manifestado sobre as suspeitas até o fechamento desta edição de CartaCapital. Ao todo, a PF cumpriu dez mandados de busca e apreensão, além da prisão preventiva do primo de Daniel Vorcaro.

Patrimônio septuplicado

O deputado estadual Thiago Rangel, do Avante, foi preso pela Polícia Federal na ­terça-feira 5, durante a quarta fase da Operação Unha e Carne. A ação mira uma quadrilha suspeita de fraudar contratos de compra de materiais para a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro. Chama atenção a evolução patrimonial do parlamentar. Em 2020, ao se eleger vereador em Campos dos Goytacazes, Rangel declarou um patrimônio de 224 mil reais, composto de dois veículos, uma moto aquática e uma cota societária em um posto de combustíveis. Nas eleições de 2022, seus bens já somavam R$ 1,9 milhão, com participações em 18 postos. Na quarta-feira 6, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, manteve a prisão de Rangel e afastou a possibilidade de a Assembleia Legislativa do Rio analisar sua permanência no cárcere.

Futebol/ Ídolo de barro

Neymar prova pela enésima vez seu inegável talento para a confusão

Robinho Jr. levou um tapa na cara após aplicar um drible no veterano – Imagem: Raul Baretta/Santos F.C

Candidato a uma vaga no banco de reservas da Seleção Brasileira, como anunciou recentemente o “parça” Casemiro, Neymar segue demonstrando seu notório talento para a confusão. Depois do comentário misógino sobre um árbitro que teria “acordado de chico” e de mandar a torcida do Santos calar a boca após pífia atuação do clube contra o Deportivo Recoleta pela Copa Sul-Americana, o meia-atacante agrediu um atleta da base durante treino no CT Rei Pelé.

Irritado após levar um drible desconcertante de Robinho Jr., filho de Robinho, o camisa 10 deu uma rasteira e, em seguida, um tapa no rosto do jogador de 18 anos, que o tinha como ídolo. O staff do jovem exigiu retratação e ameaçou romper contrato com o Santos, caso não houvesse punição. No fim, o entrevero foi “resolvido” com um abraço após um segundo empate contra o Recoleta e um pedido de desculpas protocolar.

Apesar do histórico, ainda há quem defenda a convocação de Neymar com base em atuações contra adversários do porte do Recoleta, sétimo colocado do Paraguai, e do Coritiba, oitavo no Brasileirão. Contra o líder Palmeiras, preferiu poupar-se do “temido” gramado sintético do Allianz Parque.

Um feminicídio a cada cinco horas

De janeiro a março de 2026, o Brasil registrou 399 feminicídios, alta de 7,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, informou o Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Trata-se do maior número para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, iniciada em 2015, quando o crime foi tipificado no Código Penal. Em média, uma brasileira foi assassinada a cada 5 horas e 26 minutos em episódios de violência doméstica, familiar ou que envolvem desprezo ou discriminação à condição feminina. São Paulo lidera o ranking em números absolutos, com 86 feminicídios. Nas cidades paulistas, o aumento foi de 41%. Na sequência, aparecem os estados de Minas Gerais (42 ocorrências), Paraná (33), Bahia (25) e Rio Grande do Sul (24).

Oriente Médio/ Sinais contraditórios

bolsas celebram possível acordo entre EUA e Irã, mas tensão persiste

A navegação no Estreito de Ormuz continua arriscada para todos – Imagem: Amirhoussein Khorgooei/ISNA/AFP

Bolsas de Valores do mundo inteiro reagiram com otimismo, na quarta-feira 6, aos sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã para selar a paz no Oriente Médio. A proposta envolveria uma moratória do programa nuclear de Teerã em troca do fim do bloqueio naval norte-americano e da liberação de fundos iranianos congelados. A notícia ganhou tração após a agência Reuters mencionar essa possibilidade, atribuindo a informação a fontes do governo do Paquistão, que atua como mediador do acordo.

Apesar da euforia dos mercados, o cenário inspira cautela. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, afirmou que o memorando contém “termos inaceitáveis” e que seu país continua “com o dedo no gatilho”. Ao mesmo tempo que alardeava o fim iminente da guerra, Donald Trump ameaçou retomar os ataques “em um nível e intensidade muito maiores do que antes” caso o Irã não cumpra “o combinado”. Um caça dos EUA chegou a disparar contra um petroleiro iraniano no Golfo de Omã. E, para variar, Israel sabota a paz com mais uma violação do cessar-fogo: bombardeou Beirute sob o pretexto de atingir um “importante comandante do Hezbollah”.

Publicado na edição n° 1412 de CartaCapital, em 13 de maio de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A Semana’

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