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Navio com surto de hantavírus segue para a Espanha; pacientes são hospitalizados na Europa

O MV Hondius, de bandeira holandesa, gerou alarme internacional após a morte de três pessoas que estiveram a bordo

Navio com surto de hantavírus segue para a Espanha; pacientes são hospitalizados na Europa
Navio com surto de hantavírus segue para a Espanha; pacientes são hospitalizados na Europa
Vista aérea de uma lancha ambulância transportando tripulantes, enquanto se aproxima do cruzeiro MV Hondius, atracado próximo ao porto de Praia, capital de Cabo Verde, em 5 de maio de 2026. Foto: AFP
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Três pessoas retiradas do navio de cruzeiro devido a um surto de hantavírus foram hospitalizadas em países europeus, enquanto a embarcação navegava, nesta quinta-feira 7, em direção ao arquipélago espanhol das Ilhas Canárias, onde tem previsão de chegada no domingo.

O MV Hondius, de bandeira holandesa, gerou alarme internacional após a morte de três pessoas que estiveram a bordo.

Na manhã desta quinta-feira, o navio estava ao norte de Cabo Verde, de acordo com o site de rastreamento marítimo Marine Traffic, que prevê a chegada da embarcação às Ilhas Canárias no domingo ao meio-dia (horário local).

A ministra da Saúde espanhola, Mónica García, especificou que o navio chegará a Granadilla, na ilha de Tenerife.

O cruzeiro, que fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, transportava 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades.

O passageiro Ruhi Cenet, um blogueiro turco de 35 anos, disse que o que começou como uma viagem idílica se transformou em caos quando o capitão do navio anunciou a morte de um passageiro em 12 de abril.

“Eles nem sequer consideraram a possibilidade de ser uma doença tão contagiosa. Eles não levaram o problema a sério o suficiente”, disse Cenet à AFP.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que retirou três pessoas do navio: dois tripulantes doentes e uma pessoa que teve contato com um dos casos confirmados.

Os três embarcaram em dois voos partindo de Praia, capital de Cabo Verde, com destino à Europa.

Um dos aviões, que transportava duas pessoas que estavam no cruzeiro, pousou na noite de quarta-feira em Amsterdã. Um paciente foi internado em um centro médico universitário em Leiden, nos Países Baixos, e o outro no hospital universitário de Düsseldorf, na Alemanha.

A segunda aeronave, que transportava o terceiro passageiro retirado, pousou na manhã desta quinta-feira em Amsterdã.

“Os três pacientes estão em condição estável e um deles é assintomático”, segundo Ann Lindstrand, representante da OMS em Cabo Verde.

Além dessas três pessoas, um homem está hospitalizado em Joanesburgo e outro na Suíça.

Contágio antes de embarcar

Uma especialista da OMS disse à AFP que o primeiro caso de hantavírus detectado no navio não poderia ter ocorrido a bordo ou durante uma escala, já que o período de incubação indica infecção anterior à partida de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril.

Anais Lagand, especialista da OMS em febres hemorrágicas virais, afirmou que o período de incubação do hantavírus varia entre uma e seis semanas, portanto, o primeiro caso “claramente teve exposição antes do embarque” e essa exposição estava, “sem dúvidas, ligada a um roedor”.

O Ministério da Saúde da Argentina anunciou que enviará especialistas à cidade patagônica de Ushuaia para analisar a possível presença do vírus naquela região.

O hantavírus, transmitido por roedores infectados, geralmente por meio de urina, fezes e saliva, é motivo de preocupação para a população após a morte de três pessoas.

Uma das três mortes foi causada por hantavírus, e as outras duas são suspeitas de estarem relacionadas à doença.

Apesar das preocupações com o surto, a situação não é semelhante ao início da pandemia de covid-19, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, à AFP. “O risco para o resto do mundo é baixo”, afirmou.

Após a chegada do navio às Ilhas Canárias, todos os estrangeiros, exceto os que estiverem gravemente doentes, serão levados de volta aos seus países de origem, declarou a ministra espanhola García.

Segundo as autoridades holandesas, dois especialistas em doenças infecciosas acompanham os passageiros durante o restante da viagem.

Os passageiros começaram a apresentar sintomas há um mês. Uma mulher holandesa morreu na África do Sul em 26 de abril, após desembarcar na ilha de Santa Helena, depois da morte do marido a bordo.

A empresa de cruzeiros Oceanwide Expeditions informou nesta quinta-feira que ninguém a bordo do navio apresenta sintomas.

Vírus dos Andes

Especialistas em saúde estão preocupados com o potencial de propagação do surto após a revelação de que a holandesa que morreu havia viajado com sintomas em um voo comercial da ilha britânica de Santa Helena para Joanesburgo.

As autoridades tentam localizar os passageiros do voo que, segundo a companhia aérea sul-africana Airlink, transportava 82 passageiros e seis tripulantes.

Uma comissária de bordo da KLM está sendo testada após apresentar sintomas leves, informou o Ministério da Saúde holandês à AFP nesta quinta-feira.

A operadora do cruzeiro Oceanwide Expeditions também informou que 30 passageiros desembarcaram do navio em Santa Helena em 24 de abril.

“Estamos trabalhando para identificar todos os passageiros e tripulantes que embarcaram e desembarcaram nos diversos portos de escala do MV Hondius desde 20 de março”, acrescentou a empresa.

O ministro da Saúde sul-africano, Aaron Motsoaledi, confirmou que os testes detectaram a cepa Andes, a única que pode ser transmitida entre pessoas.

A Suíça também confirmou que a pessoa hospitalizada em Zurique testou positivo para a mesma cepa. O paciente de Zurique eleva para três o número de casos confirmados de hantavírus, além de uma morte e um britânico internado na UTI em Joanesburgo.

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