Do Micro Ao Macro

Faturamento das PMEs cresce 4,5% no 1º trimestre, mas sinaliza ritmo desigual

Indústria puxa avanço com alta de 9,7%, enquanto comércio recua e infraestrutura segue pressionada por juros altos e construção civil em desaceleração

Faturamento das PMEs cresce 4,5% no 1º trimestre, mas sinaliza ritmo desigual
Faturamento das PMEs cresce 4,5% no 1º trimestre, mas sinaliza ritmo desigual
O faturamento das PMEs recuou 0,2% em fevereiro de 2026, segundo o IODE-PMEs. Comércio e infraestrutura puxaram as perdas; indústria seguiu positiva.
Apoie Siga-nos no

A movimentação financeira real das pequenas e médias empresas brasileiras avançou 4,5% no primeiro trimestre de 2026 ante igual período de 2025, terceiro resultado positivo seguido na ótica trimestral. Os dados são do Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs), que acompanha cerca de 750 atividades econômicas em companhias com receita anual de até 50 milhões de reais.

O retrato, porém, é menos homogêneo do que sugere o número agregado. O recorte setorial mostra distância expressiva entre quem puxa o crescimento e quem permanece no negativo, com a indústria descolada do comércio e da infraestrutura.

Indústria lidera com alta de 9,7%

O faturamento das PMEs industriais subiu 9,7% no trimestre, maior avanço entre os quatro setores monitorados pelo índice. O resultado se espalhou pela manufatura: dos 23 subsetores acompanhados, 19 fecharam o período no campo positivo.

Por isso, fabricação de máquinas e equipamentos, papel, produtos de madeira e metalurgia despontam como os recortes mais aquecidos. O comportamento da indústria sustenta a posição do segmento como principal motor do índice ao longo dos três meses.

Serviços perde fôlego e comércio recua

O setor de serviços registrou desempenho estável, interrompendo a expansão média de 4,4% observada no segundo semestre de 2025. A concentração ficou em atividades específicas, como serviços de arquitetura e engenharia, saúde humana e transportes. Alimentação e educação seguem em ritmo mais fraco entre as PMEs.

O comércio, por sua vez, encerrou o trimestre com retração de 0,3% no faturamento médio real, quinto recuo trimestral consecutivo. Atacado se manteve positivo, varejo ficou estável e o comércio de veículos teve queda acentuada, puxando o agregado para baixo.

Já a infraestrutura recuou 1,0%, depois de avanço de 1,2% no trimestre anterior. A desaceleração da construção civil, sensível ao patamar dos juros, explica boa parte da retração. Construção de edifícios e serviços especializados para a obra puxam o desempenho negativo, parcialmente compensados pelo segmento de descontaminação e gestão de resíduos.

Custos cedem, mas combustível volta a pressionar

Do lado dos custos, o ambiente trouxe alívio relevante para o empreendedor no trimestre. O IGP-M, calculado pela FGV, saiu de alta acumulada de 8,58% em 12 meses no fim do primeiro trimestre de 2025 para deflação de 1,83% no encerramento do mesmo período de 2026.

Por outro lado, a guerra no Irã empurrou os preços internacionais do petróleo e contaminou a inflação doméstica de combustíveis. O IPCA de março registrou alta de 13,9% no diesel e de 4,59% na gasolina, choque que pressiona cadeias produtivas em diferentes setores.

Além disso, as expectativas de inflação foram revisadas para 4,8%, acima do teto da meta, e as projeções para a Selic ao fim de 2026 subiram para 13%. O Copom havia iniciado o ciclo de corte em março, com redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,75% ao ano após nove meses no maior patamar das últimas duas décadas.

Mercado de trabalho ampara o consumo

A taxa de desemprego ficou em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, próxima de mínimas históricas. Os rendimentos reais aparecem 13% acima da média de 2019 em março de 2026, o que ajuda a sustentar o consumo das famílias mesmo com crédito mais caro.

No bimestre janeiro e fevereiro, a renda real do trabalho ficou 5,3% acima do verificado em igual período de 2025. O reajuste real do salário mínimo reforça esse movimento, ainda que aumente o desafio fiscal do governo.

Em contrapartida, a confiança do consumidor recuou em média 1,1% ao mês entre janeiro e março, segundo a Sondagem do Consumidor da FGV IBRE. A inadimplência elevada entre pessoas físicas e jurídicas pesa sobre as decisões de gasto e investimento.

Sudeste e Centro-Oeste puxam o resultado regional

O recorte geográfico do IODE-PMEs mostra ritmos distintos. O Sudeste cresceu 3,8% na comparação anual, resultado relevante por concentrar a maior parte das empresas ativas do país. O Centro-Oeste avançou 9,5%, o Sul 7,7% e o Nordeste 7,3%.

Por fim, o Norte registrou retração média de 0,6% no trimestre, único recorte regional no campo negativo entre os monitorados pelo índice.

Projeção para 2026 cai para 2,2%

O cenário levou à revisão baixista da projeção anual do IODE-PMEs, que passou de 2,9% para 2,2% em 2026 ante 2025. O ajuste considera a piora das expectativas de inflação e Selic, além de resultados mais fracos no início do ano. O índice cresceu 1,2% em 2025.

A mediana do Boletim Focus aponta avanço de 1,9% para o PIB em 2026, ritmo menor do que o observado nos últimos anos. Pesquisa da própria Omie com empresários mostra leitura cautelosa, com expectativa de estabilidade ou crescimento marginal nos negócios.

Soma-se a esse quadro o calendário eleitoral no segundo semestre e a entrada gradual da Reforma Tributária, com efeitos ainda limitados em 2026, mas que cobram preparação. Cerca de metade das PMEs não iniciou ou está em estágio inicial de adaptação às novas regras, segundo a sondagem da empresa.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

2026 já começou

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Assine ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo