Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Pai sambista e admiradora de Alcione: Budah, a nova sensação do rap

A trajetória começou na pré-adolescência, em rodas de rima na Grande Vitória: ‘O hip hop mudou minha forma de pensar’

Pai sambista e admiradora de Alcione: Budah, a nova sensação do rap
Pai sambista e admiradora de Alcione: Budah, a nova sensação do rap
Foto: Lola Magalhãez
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Quando tinha apenas 13 anos, Brendha Rangel — a Budah — soube que havia em Cariacica (ES) um movimento de hip hop com batalha de rima. Para uma garota que desde cedo ouvia artistas do gênero, a descoberta teve um grande impacto.

“Peguei o busão e fui à roda de rima. Foi ali onde me encontrei”, relembra, em entrevista a CartaCapital. “Eu era muito nova. Não falava que estava indo a uma roda de rima. A cultura hip hop sempre foi marginalizada.”

Aos poucos ela se enturmou com os frequentadores da roda, mas desconhecia completamente os procedimentos para ir além de acompanhar o movimento. Decidiu, então, gravar um vídeo caseiro para mostrar aos amigos que podia cantar. O registro repercutiu, para sua surpresa. Com o sucesso, um amigo a chamou para gravar em seu estúdio em Vitória (ES).

Budah aproveitou a ocasião e registrou uma música própria, com letra inspirada em uma paixão da época. A composição, lançada em 2019, fez sucesso nas redes e atestou que a música era o caminho a seguir.

“A música sempre esteve presente na minha vida”, afirmou, em alusão ao pai, que tinha um grupo de samba. Uma das principais referências de Budah é Alcione. “Sempre escutei samba e pagode pelo meu pai, e meu avô gostava muito de MPB. Isso influenciou a minha música. Mesmo em um gênero como o rap, sou muito melódica.”

Com o impacto da primeira música, vieram outros singles e convites para participar de gravações de artistas do rap. 

Ela chegou a trabalhar em uma lanchonete com a mãe e a vender perfume na praia para ganhar um dinheiro que lhe permitisse bancar novas gravações de músicas, além de ir a Rio de Janeiro e São Paulo para fazer feat — colaborar com outro artista no registro de uma canção. 

“Ia com 150 reais para São Paulo. Não é fácil. Eu ficava na casa de amigos”, relata. Ela afirma ter se assustado com o crescimento de sua carreira, mas seguiu em frente e criou uma rede de relacionamento com artistas estabelecidos no rap. 

Em 2024, já em São Paulo, lançou seu álbum de estreia, Púrpura, com a participação de expoentes como Djonga, Duda Beat, Delacruz e MC Luanna, entre outros. 

Também participou de festivais como João Rock, Lollapalooza, Afropunk e The Town. Neste ano, estreia no Rock in Rio, em 6 de setembro. Além disso, lançará em breve um álbum pela gravadora Universal. 

Segundo ela, o hip hop transformou não apenas sua vida, mas a de sua família. “Mudou meu modo de pensar e de agir, e o meu caráter”, resume. Para Budah, o hip hop é político no sentido de salvar vidas. Ela se recorda: quando ingressou no movimento, viu que ele era capaz de evitar que as pessoas fizessem “coisas erradas” nas ruas.  

Sobre o rap feito por mulheres, porém, considera haver um longo caminho a ser percorrido: “Vejo nos bastidores a desigualdade gritante que enfrentamos”.

Assista à entrevista de Budah a CartaCapital:

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