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Israel detém pelo menos 175 ativistas de flotilha que tentava chegar a Gaza

Os ativistas foram interceptados perto da costa da Grécia

Israel detém pelo menos 175 ativistas de flotilha que tentava chegar a Gaza
Israel detém pelo menos 175 ativistas de flotilha que tentava chegar a Gaza
Embarcações que faziam parte da flotilha interceptada pelos israelenses, em foto de 12 de abril em Barcelona (Espanha) – foto: Josep Lago/AFP
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Israel interceptou, em frente à costa da Grécia, mais de 20 embarcações de uma frota com ajuda para Gaza e prendeu pelo menos 175 ativistas, que está transferindo para seu território, informaram autoridades do governo de Benjamin Netanyahu e os organizadores do comboio.

“Aproximadamente 175 ativistas de mais de 20 barcos (…) seguem agora pacificamente em direção a Israel”, indicou o Ministério das Relações Exteriores israelense em um comunicado.

Os organizadores da frota, cujo objetivo é romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza, haviam denunciado pouco antes que embarcações militares israelenses os haviam cercado “ilegalmente” na costa de Creta, em águas internacionais.

As autoridades israelenses controlam todos os pontos de entrada em Gaza e foram acusadas pela ONU e por ONGs estrangeiras de impedir a entrada de bens no território, o que resultou em uma grave escassez desde o início da guerra no território palestino, em outubro de 2023.

“No momento em que publicamos este comunicado (1h30 no horário de Brasília), pelo menos 22 dos 58 barcos da frota foram tomados de assalto pelas forças israelenses, em total violação do direito internacional”, afirmou a frota Global Sumud, que partiu em abril de costas europeias.

Em contraste com os números israelenses, a organização informou posteriormente, em uma videoconferência, que 211 pessoas foram interceptadas, entre elas 11 franceses.

Não detalhou as demais nacionalidades, mas a porta-voz do comboio, Hélène Coron, assegurou que o grupo era composto por “48 delegações”.

Durante a noite, a frota havia afirmado que seus barcos foram “cercados ilegalmente” por navios israelenses e que “o contato com 11 embarcações foi perdido”.

Uma fonte da Guarda Costeira grega disse à AFP que, naquele momento, a corporação recebeu um “sinal de socorro”, razão pela qual enviou uma embarcação à área, a 95 quilômetros de Creta.

“Assim que a lancha patrulheira chegou ao local, foi informada de que ninguém estava em perigo e que não era necessária assistência”, afirmou, ao detalhar que sua “única jurisdição (em águas internacionais) é a de busca e resgate”.

‘Lasers e armas de assalto’

“Nossos barcos foram abordados por lanchas militares cujos ocupantes se identificaram como sendo de ‘Israel”, denunciou também a flotilha na rede social X.

Acrescentou que os ocupantes foram “apontados com lasers e armas de assalto semiautomáticas” e que os soldados “ordenaram aos participantes que se agrupassem na parte dianteira dos barcos e ficassem de quatro”.

Essa flotilha partiu nas últimas semanas de Marselha (França), Barcelona (Espanha) e Siracusa (Itália).

Dois comboios internacionais anteriores, com ativistas como Greta Thunberg e algumas figuras de países latino-americanos, foram interceptados pela Marinha israelense em frente às costas do Egito e de Gaza no verão e no outono europeus de 2025.

A abordagem desses barcos por parte das forças israelenses foi considerada ilegal pelos organizadores e pela Anistia Internacional, e gerou condenações em nível internacional.

Os membros da tripulação foram presos e expulsos por Israel.

A Faixa de Gaza, governada pelo movimento islamista palestino Hamas, está submetida a um bloqueio israelense desde 2007.

A devastadora guerra desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas em território israelense em 7 de outubro de 2023 provocou uma grave escassez de alimentos, água, medicamentos e combustível.

Desde o início de um precário cessar-fogo entre as partes em outubro passado, o Exército israelense controla mais da metade do pequeno território costeiro palestino, onde o acesso da ajuda humanitária continua restrito.

O ataque de 7 de outubro deixou 1.221 mortos, em sua maioria civis, do lado israelense, segundo números oficiais compilados pela AFP.

Mais de 72.500 palestinos morreram na Faixa devido à campanha militar de represália de Israel, de acordo com os dados do Ministério da Saúde do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.

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