Economia

Novo tenta derrubar proibição de mercados preditivos no País

Partido protocola projeto para sustar norma do CMN enquanto governo mantém posição de ilegalidade do modelo

Novo tenta derrubar proibição de mercados preditivos no País
Novo tenta derrubar proibição de mercados preditivos no País
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
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A bancada do partido Novo na Câmara dos Deputados protocolou na sexta-feira 24 um projeto para suspender os efeitos da resolução do Conselho Monetário Nacional que proibiu a atuação de plataformas de mercado preditivo no Brasil. A iniciativa ocorre um dia após o governo anunciar o bloqueio de sites do setor e endurecer a regulação sobre esse tipo de operação.

O Projeto de Decreto Legislativo foi apresentado pelos deputados Gilson Marques (SC), Luiz Lima (RJ) e Adriana Ventura (SP). No texto, os congressistas argumentam que a norma do CMN extrapola limites legais ao impor restrições amplas sobre instrumentos financeiros sem previsão específica em lei.

A resolução, aprovada na quinta-feira 23, estabelece que não podem ser ofertados ou negociados no País contratos derivativos ligados a eventos esportivos, políticos, sociais, culturais ou de entretenimento que não tenham natureza econômico-financeira. A regra passa a valer a partir de 4 de maio e integra o esforço do governo para enquadrar os chamados mercados preditivos dentro das normas já existentes.

Essas plataformas permitem apostas sobre eventos futuros e incertos, como resultados eleitorais, jogos esportivos ou indicadores econômicos, por meio de contratos negociados entre usuários. Diferentemente das bets tradicionais, em que a empresa atua como banca, o modelo funciona como um mercado em que os participantes compram e vendem posições de acordo com a probabilidade de um evento ocorrer.

Governo mantém linha dura

Na sexta-feira 24, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que plataformas desse tipo operam em desacordo com a legislação brasileira. Segundo ele, a avaliação do governo é de que os mercados de predição “violam a lei” que regulamentou as apostas no País.

Durigan também indicou que não há espaço para regularização desse modelo, mesmo em caso de pagamento de outorga, por considerar que o produto oferecido não se enquadra nas normas vigentes. A Agência Nacional de Telecomunicações foi acionada para efetuar o bloqueio dos sites, já em andamento.

A medida reforça a posição do governo de tratar esse tipo de operação como irregular, com base tanto na legislação de apostas quanto nas regras do sistema financeiro.

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